Crítica | O Massacre do Moinho de Vento (2016): tema legal na fôrma errada

Ficha técnica no IMDb

Jennifer é uma garota australiana que está fugindo de seu passado e vai parar em Amsterdã. Em uma tentativa desesperada de se manter um passo à frente das autoridades, ela se junta a um grupo de turistas embarcando em um tour pelos moinhos mais famosos da Holanda.

O Massacre do Moinho de Vento é uma tentativa de juntar o estilo slasher comum ao estilo “pessoas presas num lugar por um motivo”. A falha central desta narrativa é não usar bem os dramas pessoais dentro da fórmula adotada. Isto também se deve à mitologia confusa que fora estabelecida, mas vamos por partes.

Narrativa e inconsistência

O ritmo inicial do filme, com o estabelecimento de personagens relevantes, é bom. Esse esquema de girar os núcleos torna a história como um todo mais interessante, aumentando o prazer de acompanhá-la, tal qual acontece em Monstros do ID.

Este ponto positivo é quebrado quando a protagonista manda o ônibus parar e em seguida ele não arranca mais. Essa conveniência começou a me tirar da história, especialmente por já ser ao lado do moinho.

A ideia de as alucinações da protagonista a desacreditarem é até interessante, mas é difícil crer que, após o sumiço de três pessoas, ela ainda é tratada como potencialmente louca. Especialmente considerando que todos se assustaram com a coisa que bateu no ônibus (quanta conveniência o ônibus estar a um empurrãozinho de cair na água).

As cenas de morte não têm nada de muito interessante, mas a última foi ruim. Não ruim na aparência, mas no momento. Tudo parecia ter sido resolvido e então a morte acontece. Se o vilão não fora derrotado, estava brincando com a protagonista, o que não faz sentido, pois ele não fez isso com nenhum outro personagem.

Além de esse momento ser vazio, ele deságua num estranho final. Estranho porque um personagem não aparece, o ônibus está magicamente fora d’água e a situação provavelmente se repetirá. Aqui entra a mitologia.

Temática e mitologia

Um elemento comum em filmes de terror é o livro ou a pessoa que sabe de tudo, aquele recurso de roteiro que explica a história para o espectador, muitas vezes sem necessidade. Em O Massacre do Moinho de Vento há um documento e a lenda contada pelo motorista.

Se o produto da lenda fosse apenas “o maníaco do moinho” estaria tudo bem, mas o roteiro enfia um esquema de “pagar pelos pecados” que simplesmente não decorre da lenda. Quem escreveu o roteiro vê algum sentido em o Diabo querer atacar as pessoas ruins?

E esses pecados estão nas pessoas que pegaram o ônibus, tirando um personagem. É como se, além de pecadores, todos ali fossem doentes mentais. Mesmo considerando isso, O Massacre do Moinho de Vento dá a impressão de que o assassino causa as alucinações. A pergunta é: como justamente aquelas pessoas foram parar ali?

A primeira resposta que pensei foi “o motorista”. Ele podia ter feito o ônibus não funcionar de propósito para manter as pessoas ali, aguardando o assassino. Até faz sentido, mas não tinha como ele fazer pessoas problemáticas entrarem.

O final do filme, em conjunto com a sobrevivência do assassino, sugere que aquilo é um ciclo místico em que pessoas problemáticas sempre entram no ônibus, estando uma delas sem bilhete. Isso é legal, mas não combina nada com a ideia de um “maníaco do moinho”, bem como não decorre da lenda.

Devido a esse estranhamento, parece que a mitologia não tem nenhum peso, mesmo que eu conclua que os personagens são pessoas mortas sendo conduzidas pelo barqueiro do inferno ao juiz do mundo dos mortos.

Os dramas pessoais são até interessantes, mas o fato de o filme querer construí-los apenas como background, sem desenvolver para frente, faz com que os personagens como um todo não importem. Eles são apenas rascunhos que servem ao propósito maior de contar o enredo qualquer coisa de O Massacre do Moinho de Vento.

O Massacre do Moinho de Vento é um filme fraco e inconstante que não merece ser visto por ninguém. Não serve nem como filme ruim.

Observação: o homem oriental não serve para nada, detestavelmente. Tem toda uma cena dele com fumaça criando a maior expectativa e no fim dá em nada.


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