Crítica | Turma da Mônica Jovem vol. 46 (2ª série): uma tentativa válida

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Depois do horrível vol. 45 (o pior que já li de Turma da Mônica Jovem), o vol. 46 parece tentar justificar a presença da Carmem em O Mistério do Farol, que seria uma maneira de trazê-la para perto do público antes de explorá-la. Se este era o intuito, é ainda pior do que a Carmem aparecer sem motivo, é não saber usá-la em uma história que deveria tê-la como personagem significativo.

O Segredo dos Frufrus é uma história bem interessante. Ela trabalha a fluidez do mundo dos negócios, em que, de uma hora para a outra, você pode ficar pobre. Espero que mais para frente exista um volume que explore o desfecho dessa questão do pai da Carmem, se ele é ou não um criminoso.

O aspecto principal da trama é a “humanização” da Carmem. A personagem que sempre fora apenas um símbolo de soberba, como o perfeito arquétipo da patricinha, começa a aprender o que é a vida, graças à dificuldade financeira.

Este aprofundamento é muito pertinente, pois a Carmem sempre me pareceu superficial demais. Prova disso é ela, no vol. 20, ter ficado junto com o Toni, que a envenenara no vol. 9. Penso que evitar tal ação seria um erro gigantesco dentro da franquia.

Todo esse arco da Carmem se acostumando com uma vida menos abastada é muito legal de ver. Ela tem que se acostumar a pegar ônibus, arrumar o cabelo sozinha e lidar com problemas que não podem ser resolvidos como antes, como o problema de saúde do cachorro.

A ideia de usar uma necessidade veterinária como ponte para a Carmem conhecer o mundo do voluntariado foi excelente e orgânica. Mesmo a mais durona das pessoas tem um ponto fraco e a ligação emocional favorece o amolecimento do coração.

É essa boa construção emocional, aliada ao histórico da Carmem, que torna impactante a escolha dela por ficar na festa da ONG em vez de ir à festa da nata da sociedade. Este é um mérito que precisa ser dado ao roteiro.

A finalização temática do volume amarra o aprendizado da Carmem em relação a quem são seus amigos, o que é a vida e o que deve ser valorizado. O Fala Maurício do vol. 46 sugere que este arco da Carmem vai se estender em uma evolução do personagem, algo que eu pago para ver (literalmente).

Achei particularmente curioso como o possível par amoroso da Carmem foi deixado na friendzone sem dó nem piedade. Espero que ele se torne um coadjuvante permanente da Carmen, porque eu não aguento mais a Denise. E isto me leva aos problemas deste volume.

Mesmo que a ideia base seja muito boa, o excesso de piadas, caretas e momentos zombeteiros da Denise tiram muito o peso do que acontece. Eu sei que Turma da Mônica Jovem é um gibi de comédia, mas esse caminho torna a franquia muito inferior ao que poderia ser, pois a prende em uma maturidade ridiculamente baixa, perfeitamente representada pela odiosa Denise: uma personagem que só existe para falar gíria, ser inconveniente e absurdamente fútil.

Infelizmente, a Denise é a única amiga da Carmem que nós conhecemos, por isso o roteiro a juntou com a Mônica para criar os estranhos momentos em que ambas estavam juntas e atrás da Carmem (momentos que se repetem demais, chega a ser esquisito).

Aí eu te pergunto: se a Mônica e a Denise acompanham a Carmem por todo o vol. 46, por que a Magali está na capa e a Denise não? O contrato assinado com os protagonistas exige que eles apareçam em capas e em histórias sem que agreguem valor? Falta coerência interna em várias edições, não só nesta.

A estupidez e a inconveniência da Mônica são absurdas em O Segredo dos Frufrus, com destaque para o momento em que ela perguntou para a Carmem o que houve com o cabelo dela, sendo que havia ouvido da própria que estava passando por um problema financeiro.

Fala sério, a Mônica e a Denise seguiram a Carmem, ficaram enchendo o saco dela e ainda acham que estão no direito de exigir educação e atenção da parte dela.

Há um problema de ritmo e quadrinização também. Várias vezes, de um quadro para o outro, o ambiente muda sem esboço de transição. Eu tive que ficar voltando páginas para ter certeza de que não perdi nada.

Aliado a isso, falta foco na Carmem. O vol. 46 perde tempo demais mostrando outros personagens em vez de aprimorar a exibição dos novos problemas da Carmem e de como ela está lidando com eles. A palavra-chave é fluidez, a qual está em falta.

Mesmo com todos os problemas de O Segredo dos Frufrus, gosto muito das histórias que escolhem abordar questões mais sérias dos personagens secundários, como o vol. 37. Por este motivo, apesar de não ser tão bom, este desenvolvimento da Carmem é uma tentativa válida.


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