Crítica | O Massacre da Serra Elétrica (1974): pioneiro na ruindade slasher

Ficha técnica no IMDb

O Massacre da Serra Elétrica é um filme muito fraco. Seu roteiro é, basicamente, nulo. No momento em que o ritmo desacelera e parece querer construir algo, a qualidade do filme vai ao chão e a sensação que fica é: não tinha conteúdo para 1h30, então eles esticaram o que existia até onde deu.

Os primeiros minutos do longa usam um recurso que eu odeio: flashforward policial. Existe uma perspectiva de que estamos vendo como uma chacina aconteceu e isso já entrega que os personagens principais não irão sobreviver. Raramente esse mecanismo rende bons filmes.

A aparição do caroneiro é boa e ele é bem incômodo, mas este é, basicamente, o único ponto positivo do filme. E olha que isso nem dura muito.

Resumo de O Massacre da Serra Elétrica: um grupo de jovens chega a uma casa caindo aos pedaços, que provavelmente não é habitável, para passar uns dias e dois deles decidem ir para um lago. Não tem lago. O rapaz entra burramente numa casa e é pego. A moça entra burramente na mesma casa e é pega. Outro rapaz vai procurar por eles, entra burramente na casa e é pego. A protagonista faz burrices, Leatherface muda o jeito de agir e pega o cadeirante. A protagonista faz mais burrices, uma coisa inexplicável acontece e o filme acaba.

Sério, O Massacre da Serra Elétrica é muito ruim. Ele não se esforça nada para criar uma trama, simplesmente faz os personagens entrarem em conflito com o Leatherface para o filme andar. O que ocorre com as 3 primeiras vítimas não é apenas incompetência do roteirista, é preguiça.

Depois disso, o roteiro muda o modus operandi do Leatherface. O sujeito que estava na casa tranquilamente esperando os ratos morderem o queijo resolveu sair correndo atrás dos ratos. Estava de noite e ele estava de máscara, então não faz o mínimo sentido.

Não sei o que é pior: o Leatherface caçar os ratos à noite ou a protagonista querer ir procurar os amigos de noite no escuro tendo apenas uma lanterna. Ah, já sei o que é pior: o cadeirante ir junto com ela.

Não satisfeito com a empreitada debiloide do Leatherface, a qual vitimou o cadeirante, O Massacre da Serra Elétrica achou que seria legal colocar o assassino para correr atrás da protagonista até o filme acabar. Aí, em vez de aproveitar a escuridão para se esconder silenciosamente, a protagonista escolhe ir gritando até uma casa. Genial.

Essa sequência é ruim pela falta de lógica e pela qualidade da experiência, pois eu não conseguia entender o que estava acontecendo, onde exatamente o Leatherface estava acertando. Era tudo muito ruim.

Para finalizar com chave de lixo este filme, um caminhoneiro parou para ajudar a protagonista, ambos entraram no caminhão e, em vez de dar partida para fugir, os dois saíram correndo e ele jogou uma marreta no Leatherface. Sentido? Não existe.

Além da péssima história, O Massacre da Serra Elétrica tem um péssimo vilão. O Leatherface é um vilão genérico, sem objetivo, sem um modo de operar e sem graça. Nem sempre eu exijo um aprofundamento do vilão, mas quando a obra não me oferece nada, esse tipo de deficiência se destaca.

Depois de assistir ao remake de 2003 li relatos de que aquele era o melhor da franquia. Na hora pensei: “O melhor? esse filmeco?”. Bem, pelo menos em comparação com o original, ele é superior.

Uma cena que eu gostaria de destacar é a do jantar. Ela é insuportavelmente longa, irritante e inútil. Ter um personagem gritando o tempo todo não me faz criar empatia por ele (que o diga o abominável Bill Boss, de Centopeia Humana 3). Não ajuda em nada ficar dando close no olho por motivo nenhum.

Observação: Muita gente elogia esse filme esquecendo-se de separar o que é relevância histórica do que é qualidade. Ser uma obra pioneira no subgênero slasher não torna O Massacre da Serra Elétrica bom. Orçamento apertado não é desculpa para roteiro ruim e escolhas estúpidas, como fazer o motorista do caminhão sair correndo em vez de pisar no acelerador.

Observação²: O Massacre da Serra Elétrica é tão ruim que faz Halloween parecer bom. Acho que o Leatherface pode até ocupar o posto de pior vilão do cinema de terror.


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