Crítica | Unlock — The Haunted App (2020): meia boca, mas bem intencionado

Ficha técnica no IMDb

Não seria bom se houvesse um aplicativo que lhe desse seu desejo mais profundo e sombrio em apenas três tarefas? Quando Suhani percebe que Amar, o amor de sua vida, está prestes a se comprometer com sua colega de quarto Riddhi, não há outra saída.

7 Desejos é um filme em que um personagem tem seus desejos realizados por uma entidade mística, só que eles possuem um custo. 13 Pecados é um filme em que um personagem realiza tarefas para alcançar um determinado fim, sendo guiado por uma pessoa que lhe fala pelo celular. O maior problema de Unlock é querer juntar uma proposta com a outra.

O filme tem cenas com fantasmas e uma sombra preta que remete ao sobrenatural. Tal carga encaixa muito bem na ideia de algo que torna seus desejos realidade, mas não funciona na aplicação tecnológica.

Existe toda uma lógica prática em a protagonista pesquisar um aplicativo espião com citações à “dark web” e o funcionamento da ação do “outro lado” passa por controle tecnológico à distância. Não há mágica na realização do sonho da protagonista.

É até engraçado que o aplicativo prometa realizar o sonho quando, na verdade, a pessoa que o usa precisa fazer boa parte do trabalho.

Como o andar do enredo de Unlock depende apenas da parte tecnológica, o sobrenatural sobra de forma muito estranha. Parece que a ideia fora desenvolvida por completo antes de anexar esse elemento.

A escala dos desafios é um mecanismo muito bom, mas Unlock é um pouco apressado, já iniciando com uma tarefa muito pesada. A consequência disto é que o final perde o impacto, ainda que continue sendo bom.

E é bom porque, se existe um aplicativo que gera desafios de tamanha complexidade, é lógico que os jogadores poderão colidir em algum momento, o que seria interessante para o mestre das marionetes.

A cena da virada final me agradou e abriu espaço para uma dúvida: qual era o desejo do homem? Me parece óbvio, mas, se for “aquilo”, não é algo possível de se obter de forma não-sobrenatural, então o que poderia ser? Não é uma questão que reduza a qualidade do filme, mas fiquei curioso.

Um aspecto mais técnico que me incomodou foi a utilização de cenas irreais, como sonhos ou imaginação. Quando isso é feito na intenção de iludir o espectador, especialmente da forma longa que Unlock usa, me parece um artifício barato, tal qual é o jumpscare. Novamente, não é um problema muito relevante para o todo da obra.

Unlock é um filme curto com uma história interessante e até envolvente. Ele é tão agradável de assistir que seus defeitos não o tornam desprezível.


Deixe suas dúvidas, críticas ou sugestões nos comentários. Siga o Blog do Kira por e-mail e não perca os próximos posts. Acesse o Podcast do Kira, um canal com versões em áudio de alguns textos daqui e conteúdos inéditos.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s