Crítica | Pânico nas Alturas (2019): apenas dispensável

Ficha técnica no IMDb

Cinco jovens, que querem celebrar a véspera de ano novo no topo de uma montanha, ficam presos em um teleférico. O que começou como uma festa de aventura, logo se torna uma luta pela sobrevivência.

É grande a semelhança de Pânico nas Alturas com Pânico na Neve, sendo este último, se não me falha a memória, muito superior. A ideia de deixar pessoas isoladas tendo que sobreviver a condições extremas de temperatura também fora utilizada melhor pelo interessante 119 Graus.

O período de preparação que vem antes do problema se estabelecer é, no mínimo, estranho. Existe um conflito amoroso que não importa quase nada e soa muito esquisito, em conjunto com a mochila cujo dono não sabia onde estava. Mais adiante, essa questão é tão frisada pela troca de núcleos narrativos que esperei por um plot twist ao final, revelando que havia um vilão.

Embora os personagens não representassem muito para mim, me importei com eles conforme o filme me prendia na trama. Quando o problema surgiu, essa perspectiva de uma progressão lógica desandou.

A começar, o roteiro escolheu uma forma excessivamente idiota para fazer o teleférico parar. Algo tão obviamente burro que até um incompetente bêbado perceberia que não devia ser feito.

Com os azarados personagens presos, o decorrer da situação propiciou escolhas também burras. A maneira mais óbvia de se comportar era ficar parado e esperar ao menos 1 dia, economizar a bateria do celular e energia, pois era questão de tempo até algum resgate chegar.

Eles sabiam que duas pessoas tinham conhecimento de que eles estavam no teleférico, então medidas desesperadas não se justificam. Pior foi terem feito uma medida desesperada de um jeito ilógico.

Certa mulher disse que um homem era covarde por se esconder atrás do peso para não efetuar a medida desesperada. O problema é que a medida era descer do teleférico por uma corda. Estando àquela altura, é irracional não usar a pessoa mais leve do grupo, sob pena de o escolhido levar todos à morte.

O resultado dessa estupidez é que não me importo com o conflito que surge depois, porque o filme conseguiu acabar com a minha imersão. Nessa hora aconteceu algo curioso: eu senti medo pela situação, mas não consegui me importar com os personagens que corriam aquele risco.

Um dos motivos para tal é a falta de esforço de Pânico nas Alturas em desenvolver os personagens dentro do desafio de sobrevivência. É possível dizer que o frio importa pouco, pois ele não é um inimigo bem trabalhado, apesar da ambientação propícia.

Não é que o frio não esteja lá, mas se tirar o frio da equação, quase nada na sobrevivência muda. Este pequeno problema, somado aos demais aspectos duvidosos do roteiro, causa uma queda relevante na qualidade de Pânico nas Alturas.

O ritmo do conflito é o que o torna mais chato. As situações são rápidas e as viradas também, desconectando o espectador do roteiro. Quando o filme acabou, a minha sensação foi de que perdi tempo (especialmente devido à facilidade com que os desafios foram superados).

O chato Pânico nas Alturas é só mais um filme de terror qualquer coisa que, por algum motivo inexplicável, acha que o espectador se importa com os seus personagens (deveria, mas não consegue).

Observação: os personagens de Pânico nas Alturas agem de forma estranha como um todo, não só os que estão dentro do teleférico. Parabéns ao roteirista, fez tudo igualmente ruim.

Observação²: é surreal como os personagens sobem no teto do teleférico, como se não fosse absurdamente perigoso. Conduta semelhante teve a protagonista que, calmamente, cuidou de uma ferida em vez de sair correndo e acender o sinalizador.


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2 comentários

  1. A cena da mochila caindo e quebrando o gelo e a cena da cabine caindo são muito toscas. Esse filme teve um roteiro ruim e efeitos especias piores.

    Curtido por 1 pessoa

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