Crítica | Terror na Ilha (2012): clichê e ruim

Ficha técnica no IMDb

Três amigas de infância põem de lado seus assuntos pessoais e se reúnem em uma remota ilha no Maine para um final de semana só de garotas. Um fato inesperado transforma seu fim de semana em uma luta brutal pela sobrevivência.

Terror na Ilha é um filme ruim. Os personagens são ruins, a ação é ruim, o roteiro é ruim, tudo é muito chato e clichê. Aqui cabe um ponto importante: clichê não é sinônimo de ruim.

Embora seja comum ver por aí gente tratando originalidade como qualidade e clichê como defeito, existem detalhes muito mais relevantes para o contexto geral de uma obra.

Às vezes pode ser mais agradável assistir a algo criativo, mas é plenamente possível fazer algo que muitos já fizeram sem desandar a maionese. Se não fosse por isso, talvez nem existissem tantos filmes de terror quanto existem hoje.

O problema do clichê é que ele é o principal, por isso pode ser uma saída artificial. Neste contexto, filmes clichês podem ser muito rasos e aí a coisa fica chata, como é o caso de Terror na Ilha. O que deveria ser legal não é e ainda é previsível.

Três amigas vão para uma ilha deserta sem motivo em especial, encontram três homens por lá e, papo vai, papo vem, começa a luta pela sobrevivência contra maníacos homicidas (ou quase isso).

Não é ruim que Terror na Ilha seja isso. Ruim é que ele seja apenas isso. Comecemos pelos personagens.

O trio protagonista é horroroso. Seus diálogos são constrangedores e muito artificiais, tanto nos momentos de amigas quanto nos momentos de discussão. Fora as risadas excessivas que surgem de forma estranha.

No início do filme, a mulher principal diz que está com câncer e depois revela ser uma brincadeira para incentivar as outras a irem com ela para a ilha. É completamente ilógico isso funcionar, pois, no mundo real, as amigas se sentiriam ultrajadas por essa ofensa à preocupação que sentem para com a “protagonista”.

Se já havia um problema amoroso entre as duas, o “câncer” devia ser motivo mais do que suficiente para impedi-las de seguir em frente com aquilo. A discussão na floresta, inclusive surgiu totalmente do nada, assim como a caça ao tesouro, que só serviu para trazer ao cenário a (inexplicável) lâmina.

Como eu já não me importava com as personagens, a eliminação de uma e aproximação das duas que estavam em conflito não me conquistou. Não é um laço bem trabalhado. E isso nos leva aos vilões.

Militares que foram dispensados por usarem métodos inadequados. O melhor momento do filme foi quando disseram isso, pois me deixou muito curioso quanto ao que aconteceu com eles.

Infelizmente, Terror na Ilha não quis explorar mais esse detalhe e criou um ponto de virada constrangedor. As duas brigonas ficaram se jogando pra cima de um vilão, uma delas, a mais atirada, o levou para o mato, começou, quis parar e ele não parou. Aí ela acertou uma pedra na cabeça dele.

Estupro é naturalmente um assunto impactante, mas é difícil eu me importar quando Terror na Ilha já pareceu ser uma história sobre amizade e flertou com a possibilidade de tratar do tema “fidelidade”. Quando a violência sexual surge, ela é só parte do não-enredo do filme.

Eu aceito que as personagens façam escolhas erradas, como tirar a roupa toda por ela estar molhada, sem perceber que isso as exporia mais ainda ao frio sem chance de suas vestes secarem. Só que existem outras indefensáveis:

A principal sente que não vai conseguir chegar ao barco nadando e, ao invés de apenas parar, fica gritando “Eu não vou conseguir. Eu não vou conseguir”, como se isso ajudasse em alguma coisa (muito pelo contrário, só atrapalhou).

Quando as três conseguem fugir dos vilões, elas incapacitaram um deles momentaneamente. Aí eu te pergunto: porque não pegaram a arma dele? E digo mais, ao final do filme, uma delas pega a arma e deixa de lado.

Pior que as ações delas são as ações deles. Os militares agem como meros maníacos de beira de estrada padrão. Um deles rola barranco abaixo sozinho e quebra a perna, enquanto o outro cortou a corda que prendia uma das mulheres, sem perceber que aquilo soltaria as outras duas.

Além de errar tiros demais, no confronto físico eles estranhamente não são letais, mesmo tendo muitas chances. A batalha final é tão excessivamente longa que parece que as mulheres tem o poder da super-resistência, enquanto o vilão tem a super-burrice de deixar de lado sua faca e escolher um método de execução mais lento.

Os militares não eram militares? Ouvi dizer que é fato. Acho que não eram, mas isso não muda o X da questão. Os vilões são ruins e muito burros.

Tudo em Terror na Ilha parece jogado de qualquer jeito na tela. Nada tem relevância, nada é legal e nada é marcante. Este filme não é só ruim, ele é tremendamente chato.


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