Crítica | Corpse Party — Musume vol. 1: terror legal, ecchi excessivo

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Corpse Party: Musume é um mangá escrito por Makoto Kedouin, ilustrado por Mika Orie e publicado pela Media Factory entre outubro de 2010 e setembro de 2012. O mangá é uma história alternativa baseada no enredo do jogo Corpse Party.

Em um certo dia, após as aulas, um grupo de alunos fica até mais tarde para terminar as organizações de um festival. Mas de repente um enorme terremoto acontece e eles “caem” em uma dimensão diferente, numa escola similar, mas abandonada e antiga. Agora os alunos precisam achar a saída antes que a “garota de vermelho” os ache primeiro.

Corpse Party — Musume começou derrapando por tratar, ao mesmo tempo, de dois gêneros cujas atmosferas são opostas: terror e ecchi (este não é bem um gênero, mas acho que o público brasileiro entende o sentido).

A parte do terror é boa. A ambientação em uma escola é assustadora, o detalhe de as janelas não se abrirem é uma adição “claustrofóbica” relevante e as aparições impactam.

Destaco positivamente a cena em que o fantasma de vermelho surge, com um aspecto de mal encarnado. É aterrorizante se colocar no lugar do protagonista, mesmo que ela não tenha feito nada de fato.

Outra boa cena foi o retorno da Shinohara como fantasma. Depois daquela morte horrível, pensei que o retorno a faria se declarar para o protagonista, num encerramento bonito. Muito pelo contrário, o roteiro a fez sofrer novamente por não conseguir se comunicar com ele. Fiquei triste com aquilo, até mais do que com a morte em si. Desolador (isto porque, até aquele ponto, foi o único grande momento de impacto emocional).

O problema é que esse terror eficiente é absurdamente diluído pelo conteúdo ecchi. Fica difícil me importar com o terror quando toda página de Corpse Party — Musume inclui várias cenas de calcinhas à mostra.

Claro que isso é lógico, levando em conta a capa “sexy” do vol. 1, mas posso fazer um comparativo rápido com Highschool of the Dead. Embora HOTD tivesse muito momentos ecchi, ele nunca ultrapassou a linha do ridículo e soube equilibrar bem o terror, o medo e o ecchi.

A linha do ridículo é rompida por Corpse Party — Musume quando a cena de uma garota urinando na roupa é sexualizada. Eu aceito até os tentáculos, mas isso já é demais.

O resultado do balanço terror+ecchi é um grande “ok”, a contragosto, diga-se de passagem. O problema é que o ecchi não é o único erro de Corpse Party — Musume.

A parte preparatória do mangá, antes do terror se instaurar, é muito rápida. Não dá tempo de eu me importar com os personagens ou com a mudança de ambiente.

Além disto, o fio da mitologia que conduz a trama é entregue de forma muito automática, como uma necessidade não-orgânica que se tornou um recurso de roteiro. Convenientemente, uma personagem conta a história que os levaria até aquele outro mundo. Convenientemente também, outra personagem, com o mesmo problema, sabe um pouco mais que eles.

Em geral, este recurso é muito usado em filmes de terror na figura da pessoa que sabe de tudo ou do livro que alguém encontrou em algum lugar qualquer (pode ser uma carta também). Não é um elemento que, isoladamente, destrói um mangá, só que ele é mais um degrau na escada da irrelevância que Corpse Party — Musume se esforça para subir.

Um momento bem estranho é o confronto da Naomi. Num quadro ela está sem saída, presa no banheiro e perto do fim. No outro, ela surge perfeitinha, como se nada tivesse acontecido. Ué, mas como assim?

Se o conteúdo da placa que aparece ao final do vol. 1 se referir a um futuro plot twist, o mesmo será extremamente enfraquecido, porque agora eu já o espero. Bola fora do Makoto Kedouin, que conseguiu, em dois passos, tirar o peso de uma boa ideia.

A arte de Mika Orie é competente. Sinto a massa dos corpos que se envolvem e gostei particularmente dos cenários. Os maiores problemas são aqueles que advêm da inserção de momentos ecchi, então não vale a pena comentar.

O vol. 1 de Corpse Party — Musume é um cartão de visitas que diz o seguinte: “Eu não sou ruim e também não sou bom, mas se você me ler, talvez se divirta”.


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