Crítica | Medo, S.A (2016): plot twist, plot twist e plot twist

Ficha técnica

Uma empresa de degenerados pode ser contratada para uma pessoa viver os seus maiores medos… Mas quando o que é jogo se mistura com a realidade, tudo pode se tornar um terrível pesadelo.

A experiência de assistir a Medo, S.A perde muito da diversão quando já se assistiu Follow Me, pois o plot twist de ambos é bem similar. No caso de Medo, S.A, há mais de um plot twist, então este não foi o maior problema que encontrei no filme, infelizmente.

A cena inicial é a típica cena inicial de filme de terror que mostra, de forma muitas vezes genérica, qual é o “mecanismo” do filme. Em alguns filmes, como Jogos Mortais e Premonição, esse começo é um grande atrativo. Em Medo, S.A, por outro lado, isso só tira o peso do que acontece depois.

Algo que me incomodou foi o uso excessivo de referências, o que acaba conferindo ao filme uma vibe de “homenagem” que não lhe cabe e desperdiça tempo. Se quem está assistindo não conhece as referências, acaba se irritando.

Outro problema foram os jumpscares bobos e numerosos, com destaque para o protagonista com a máscara do Jason surgindo do mato com um facão. O jumpscare mais idiota que existe é o que consiste em um personagem dar um susto no outro. Eu gostaria muito que isso não existisse, mas Medo, S.A o contém em abundância.

O enredo do filme possui uma ideia bem interessante: pagar para ter um terror personalizado. Isso certamente renderia um ótimo terror psicológico, como o espetacular Playtest, de Black Mirror. Uma característica deste episódio da série é a grande quantidade de plot twist, os quais funcionam bem em um cenário de controle mental, diferente do caso de Medo, S.A.

Resumo do filme:

Joe acha que é um jogo (1). Joe acha que é real (2). Joe mata o vilão, mas era um jogo (3). O jogo fica real (4). Joe descobre que é um jogo (5). Os vilões matam todos (6).

(1) – É óbvio que não é um jogo, pois o filme escancarou isso na cena inicial. Não há tensão alguma na revelação de que Joe estava errado, fora que não faz sentido ele achar que pessoas que invadem a casa dele são confiáveis.

(2) – Aqui existe impacto e eu comecei a me importar com o personagem e com a situação.

(3) – Este é um bom final, pois casa com o propósito da empresa, ganhando até certo tom de obviedade. É idêntico ao bom fim de Follow Me. Estava bom, mas quiserem ir mais longe.

(4) – Esta virada fez eu me ajeitar na cadeira e sentir que estava assistindo não mais a um filme de terror, mas a um problema real. Mesmo com a forçada de barra da desculpa dada ao policial, eu continuei empolgado com a situação. O caminho estava aberto para uma evolução da trama em um conflito mais suspense/policial, mas Medo, S.A quis transformar sua boa ideia em armadilha.

(5) – Este final era extremamente frustrante, como se Medo, S.A achasse que o espectador é bobo. É difícil engolir que tudo o que vimos foi apenas parte do jogo. Aliás, se a organização encontrou a van na estrada, por que não encontraria em qualquer lugar? A decisão do Joe por ir com ela esconder o corpo não faz o menor sentido. Isto rende uma irritante e demasiadamente longa cena do protagonista se debatendo no escuro (sério, era quase uma tela preta).

(6) E para fechar com chave de lixo, Medo, S.A decidiu inserir mais um plot twist e acabar num final trágico que não tem qualquer significado ou peso. É só uma ceninha legal para colocar no compilado depois, como a cena final de Os Canibais.

Esse excesso de reviravoltas torna Medo, S.A um filme meio chato e irritante. Ele não é ruim, mas é previsível e, com tantos plot twists, fica difícil defendê-lo. Ele até tem um terror legal aqui e ali, mas se sabota demais em sua pretensão.


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Um comentário

  1. Eu queria que tivesse parado no ponto 5 que você falou. Matar todos de verdade foi péssimo. Melhor seria Joe aprendendo a não brincar e encher o saco dos outros com essas coisas, os amigos e a namorada pregando uma peça nele.

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