Crítica | Pânico na Floresta (2003): um começo legalzinho

Ficha técnica no IMDb

Uma viagem às montanhas da Virgínia Ocidental para um fim de semana de caminhada se transforma em um festival de horrores sangrento quando um grupo de amigos é caçado por canibais da montanha terrivelmente desfigurados por gerações e gerações de endogamia.

E Pânico na Floresta é realmente só um começo legalzinho. Em geral, os filmes de terror cujo enredo consiste em um grupo de jovens num lugar têm um início lento. Mais ou menos meia hora é gasta com o “cotidiano” desses personagens irrelevantes, para então eles começarem a morrer.

Esse método chato quase inerente a este subgênero é um pouco alterado por Pânico na Floresta. Aqui, somos apresentados a um protagonista solitário na estrada. Depois de um vai e vem interessante, ele se acidentou burramente, batendo o carro em um carro de um grupo de jovens indo para um lugar. Excelente. Ele era mais importante que o grupo, então nada mais justo do que ele ser apresentado com mais cadência.

E é isso o que o filme tem de bom.

Os personagens não são bons e não importam nada, nem em ação nem em personalidade. São tão descartáveis que não sofri com a morte de nenhum deles.

Tirando as cenas de flecha, que são legais, os confrontos do filme são bem qualquer coisa. Não ruins, mas também não marcantes.

Os vilões são o arquétipo de canibais: nojentos, feios e absolutamente desumanos. Por mais filmes de canibais estilo Hannibal. Existe certa ênfase no uso que fazem de arame farpado, mas é insuficiente para torná-los relevantes. Eles são mais profundos na sinopse que no filme, algo que me irritou profundamente.

O roteiro é muito ruim. Os personagens se perdem andando pela estrada de terra, encontram convenientemente a casa dos canibais e entram lá, os quatro, porque precisavam de um telefone e um deles queria ir ao banheiro. Brilhante motivo para invadir uma casa estranha e ficar lá mexendo nas coisas como se fossem suas, não? São personagens assim que me fazem torcer pelos vilões.

A pior coisa do filme é, disparado, o ritmo. Várias cenas são demasiadamente longas. E é um prolongamento inútil que não agrega nada, além de tédio. É tão chato que me dispersei e quase dormi em alguns momentos. Dei graças aos céus quando Pânico na Floresta acabou.

Como de praxe, Pânico na Floresta tem uns jumpscares idiotas e os vilões são rápidos demais, sorrateiros demais e, aparentemente, oniscientes, já que sabiam sempre onde os personagens principais estavam.

O clímax do filme é o momento em que os personagens principais brincam de macaco, pulando de galho em galho, num confronto estilo Tarzan. No mínimo estranho. Depois eles surgem em uma cachoeira. Ou essa transição foi brusca ou eu me desliguei do filme, porque não faço ideia de como eles foram de um ponto ao outro.

Pânico na Floresta é um filme ruim que não merece ser visto por ninguém. O subgênero “jovens indo para um lugar” deve exigir que seus filmes sejam ruins, porque é difícil achar um que preste.

Observação: como esses filmes horríveis renderam franquias de sucesso?


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