Crítica | Verdade ou Consequência (2010): nada relevante

Eu queria que as sinopses parassem de me enganar. Pouparia tempo.

Ficha técnica no IMDb

Entediadas com a vida que levam no subúrbio de uma pequena cidade, um grupo de jovens colegiais se reúne na casa de uma amiga para passar a noite e comemorar o aniversário de 16 anos de uma delas. Lideradas por Chaplin (Brittany Robertson), elas decidem participar de um ousado jogo de verdade ou consequência. Na medida em que a dificuldade dos desafios aumenta, a tensão é elevada a níveis extremos.

A sinopse acima sugere que Verdade ou Consequência é um filme sobre desafios e que, em algum momento, as coisas passam dos limites. O que se subentende com isso? Que algo místico vai surgir ou quem sabe uma ameaça por vingança. Nada disso. Verdade ou Consequência é um drama que mais ou menos se desenrola sobre o pano de fundo dos desafios. E isso é bem chato.

Outro grande problema é o título do filme, porque não é “verdade ou consequência” se não há “verdade”. O nome devia ser algo como “faz ou raspa”, traduzindo melhor a natureza do jogo. De um jeito ou de outro, o foco no jogo induz o público a achar que é um filme de suspense ou terror.

Indo mais longe, a dinâmica do jogo e seus desafios absurdos é incapaz de criar um bom suspense e manter a tensão. Ao mesmo tempo, ela encobre o drama adolescente que faz a temática de Verdade ou Consequência. O resultado é que nada importa e nada atinge seu objetivo. Não é ruim, mas é absurdamente irrelevante.

Os personagens são os velhos arquétipos juvenis, todos descartáveis, exceto um. Esse “um” não é a Chaplin, protagonista do filme, mas sim a sadgirl. A emo, gótica, trevosa e isolada que sempre carrega um rato por aí. Por que ela anda com o rato? Não sei, pois Verdade ou Consequência prefere explorar a irritante Chaplin.

O drama da sadgirl apresenta um conflito interessante sobre o convívio social, a dificuldade em se relacionar com outras pessoas e algum nível de confusão emocional. Ela evoluiu durante o filme e eu queria mais destaque nela, pois certamente renderia uma boa história.

Por outro lado, a Chaplin é extremamente irritante, sem noção e seu drama é: ela desafiou uma colega a pular de uma ponte, a colega pulou e acabou morrendo, por isso a Chaplin se sente culpada por aquilo e algumas pessoas falam como se ela fosse culpada. Pois bem, ela é culpada mesmo. Não há nada de errado aí, exceto ela ser bem tratada ao final ao invés de ser presa.

Com esse enredo, fica impossível gostar do filme. Ele nem chega a ser ruim, porque conecta de forma lógica o drama da Chaplin com o fato de estarem jogando “faz ou raspa”, só que nada nele é marcante. É o típico filme nota 5 que eu recomendo evitar.

Tem ainda o drama da aniversariante, mas eu ligo para ela tanto quanto o pai dela liga.

Verdade ou Consequência é um filme absolutamente irrelevante que se autossabota ao não definir se quer ser uma história de desafios ou de drama adolescente. E de bônus usa um recurso de flashback que, basicamente, não serve para nada.


Deixe suas dúvidas, críticas ou sugestões nos comentários. Siga o Blog do Kira por e-mail e não perca os próximos posts. Acesse o Podcast do Kira, um canal com versões em áudio de alguns textos daqui e conteúdos inéditos.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s