Crítica | Corpse Party — Another Child vol. 1: erra pouco

O título desta resenha é “erra pouco” porque esta é a principal qualidade do vol. 1 de Corpse Party — Another Child. Mais especificamente, o mangá comete dois erros: um é a existência da cena patética em que a Yuma bate no Yuuma (nomes criativos, não?). A outra é a reação demasiado tranquila dele a uma óbvia tentativa de assassinato que sofrera pelas ações dela.

Não havia motivo para ele agir tranquilamente, mas posso até relevar esse erro, considerando que as garotas são exageradamente malvadas com a protagonista. Deste modo, fica evidente que tenho pouco contra este vol. 1. A pergunta é: ele é bom?

Depende da perspectiva. Ser um volume que erra pouco não é mais do que a obrigação dele, então não serve como ponto positivo. A leitura flui bem, mas não é nada de outro mundo. Os personagens, a mitologia, o terror, é tudo “ok”, o que torna o vol. 1 também “ok”. Só que eu já li Corpse Party — Musume.

Musume erra um bocado onde Another Child acerta, então, como a ideia base da história é a mesma, é difícil desvincular a análise de um da análise do outro. Inclusive, ambos tiveram o mesmo roteirista.

Another Child tem um bom ritmo, um terror contido que claramente prepara para o futuro, uma boa caracterização do vilão como alguém quase inofensivo e não sexualiza todas as personagens femininas em todas as situações possíveis. Fazer isso é obrigação do autor, mas já que ele conseguiu errar na outra vez, neste caso eu digo que o mangá é bom.

Tenho uma relação parecida com essa em se tratando de O Brilho de um Pulsar, da Turma da Mônica Jovem, e Premonição 4.

Aprecio muito a escolha por uma protagonista sensitiva. Essa habilidade especial permite que ela seja especial e se conecte mais ao vilão de forma lógica. Vai fazer sentido se, de repente, houver um flashback do passado da Sachiko na cabeça dela.

O clima de despedida também é uma ambientação pertinente para a realização de uma simpatia que, dando certo, une os personagens para sempre no lugar onde morrerão. É um draminha adolescente que eu compro, diferentemente do impasse amoroso, o qual achei bem besta.

O medo do desconhecido é bem empregado, tal como o aparecimento de cadáveres. Existe um caráter explícito em algumas cenas, mas não é um show de sangue. Essa moderação ajuda a dar mais peso para as cenas e creio que fortalecerá eventos mais exagerados que ocorrerão.

Já mencionei que a caracterização da Sachiko é boa. Isto se deve a ela não ser um monstro. Ela é só uma garotinha, nada visceral. E é por isso que ela é assustadora, por conta da sugestão. Nós sentimos o medo do desconhecido pela protagonista, já que, assim como ela, não temos certeza das intenções daquele ser diante dela. Se fosse um monstrengo feio, saberíamos exatamente o que esperar.

Uma cena que me agradou em particular foi quando uma fantasma ajudou o Yuuma a escapar de crianças fantasmas zumbis assassinos. É a prova de que nem tudo que está lá é mau, de que este não é um universo dividido entre sobreviventes azarados e vilões.

No geral, o vol. 1 de Corpse Party — Another Child não tem nada de muito bom, mas faz quase tudo direito, então, considerando o quão ruim é Musume, este volume é bom.


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