Crítica | Espantalho (2011): pensa num filme ruim

Ficha técnica no IMDb

Quando um bando de corvos quebra o para-brisa do carro, um grupo de jovens amigos é forçado a abandonar o veículo, deixando-os presos ao lado de um milharal deserto. Escondidos dentro do milharal, eles encontram uma casa em ruínas e logo descobrem que, ao invés de um santuário, a casa é o centro de um aterrorizante ritual sobrenatural. Sobreviva, fuja ou se junte ao grande milharal.

Espantalho é um filme ruim e irritante. Estou acostumado a ver filmes ruins e tirar deles pontos positivos, ou, ao menos, me divertir durante a experiência. Com Espantalho, eu quase dormi e só queria que o filme acabasse logo. Ele tem vários pontos negativos e nenhum positivo.

Em geral, filmes de terror que consistem em um grupo de pessoas indo para um lugar tem uns bons 20 ou 30 minutos introdutórios. Nesse período, os personagens são trabalhados e desenvolvidos, até que chega um ponto de ruptura e o lado terror se apresenta formalmente. Muita gente acha esse pedaço chato e quer logo a violência, mas eu penso o oposto.

O início do filme é justamente o que me faz dar relevância ao “terror”. Do contrário, porque eu me importaria com as desventuras dos personagens? Sem esse desenvolvimento inicial, os personagens perdem muito o peso. E olha que personagens de filmes de terror costumam ter pouco peso.

O que ocorre é que Espantalho começa e, em menos de dois minutos, o carro do grupo de jovens para na estrada. Um deles sumiu, mas por que eu ligaria para isso? O que os fez parar foi ter atropelado alguns corvos. Se os corvos eram controlados por algo ou não? Não sei, já que o filme não explicou.

Filmes não precisam necessariamente explicar tudo, só que Espantalho ensaia uma tentativa de explicar algo e falha miseravelmente. Os flashbacks, basicamente, não levam a nada. Um irmão matou o outro e o transformou num espantalho, aí este amaldiçoou o milharal transformando em espantalho quem entra lá. Só isso? Sem justificativa? Se for pra ser isso, era melhor nem ter flashback e deixar só no mistério.

O caminho para o vislumbre do flashback também foi forçado. O “nerd” teve visões do passado por absolutamente nenhum motivo. Pior que isso, ele seguiu uma alucinação e se enfiou no milharal, mesmo sabendo que entrar lá era como se entregar à morte. O roteiro forçou a barra para inserir algo inútil que ainda afeta negativamente o clima do filme. Péssima ideia.

O fim do nerd também foi estranho. Ele ficou um bom tempo bem machucado e só no final, na saída do milharal, ficou incapaz de se arrastar para fora ou gritar. Conveniente, não?

Os personagens de Espantalho são desinteressantes. Nada neles se salva, além da própria caracterização do vilão, a qual é bem assustadora. Como Espantalho é um filme ruim, ele estraga até isso com o uso excessivo de movimentações rápidas, estilo jumpscare. Ele exagera tanto nisso que criou a patética cena do carro em fuga: o espantalho fica se pirulitando para lá e para cá, batendo no vidro, batendo e batendo mais um pouco. É demorado e chato. Parece que o espantalho quer assustar, não matar.

Uma particularidade interessante foi os mortos costurarem o capuz de espantalho. Pensei que teria alguma justificativa ligada à mitologia, mas ficou só nisso mesmo. Some isso à falta de explicação para a maldição do espantalho do milharal e temos um péssimo quadro geral deste filme.

Sobre o final: podemos dizer que o espantalho podia atacar a qualquer momento, mas fingiu que não podia? Qual é a relevância disso? Se ao menos fosse uma virada tipo: estão prestes a sair do milharal, então o espantalho revela que estava brincando com eles e que não tem limitações para atacar. Sendo isso ou não, o final não tem nada de interessante.

Espantalho também perdeu uma boa oportunidade de fazer um final legal. Os personagens pegaram o isqueiro e a gasolina, espalharam enquanto andavam, mas não acenderam. Se a lógica do lugar é ser atacado após entrar no milharal, faria sentido eles incendiarem o milharal e, assim, encerrarem a maldição. Pareceu que a intenção deles era queimar depois de sair, o que até faz sentido, mas é bem menos legal.

Quanto a parte técnica, Espantalho usa, em vários momentos, uma câmera tremida. Junto com o excesso de cortes, boa parte da ação do filme fica confusa e irritante. Dá raiva assistir algo que é difícil de entender, ou, pelo menos, que eu não posso apreciar com clareza.

Resumo da ópera: Espantalho é um filme clichê com personagens ruins, um enredo fraco e muitos pontos negativos. E sabe o que mais? Não merece ser visto por ninguém.


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