Crítica | O Massacre da Serra Elétrica 2 (1986): ruim e chato

Ficha técnica no IMDb

Ex-policial planeja vingança contra os maníacos mascarados que trucidaram seu sobrinho. Uma disc-jóquei, que é ameaçada pelo bando, se junta a ele para encontrar e exterminar os assassinos, antes que vire mais uma de suas vítimas.

O Massacre da Serra Elétrica 2 começa ligando-se ao primeiro filme. É estabelecido que a polícia foi atrás dos canibais e não os achou. Mais do que isso, considerando a situação do Lefty, podemos concluir que a polícia decidiu abafar o caso. Por quê? Não faço ideia.

Essa conexão dá ao filme uma pegada de continuação que me agrada muito. Não é apenas uma versão genérica do primeiro filme, mas um desdobramento de seus eventos. Um roteiro bom, focado na jornada do Lefty, faria um filme incrível. Claro que O Massacre da Serra Elétrica 2 escolheu rumar para o terror genérico.

Os irritantes jovens que aparecem no começo demoram demais para serem mortos. Além disso, a sequência final deles é estranha. Primeiro, por que eles simplesmente não tentaram sair de perto do carro dos canibais? Segundo, se um deles tinha uma arma, por que não atirou mais vezes? Terceiro, por que eles aceitaram de forma tão tranquila que não conseguiriam sobreviver? Foi como se sequer esboçassem reação.

Embora eu deteste essa cena de morte inicial, ela é um inteligente conectivo entre o Lefty e a Vanita, afinal, a investigação dele o levaria até ela. O problema foi que o filme largou o lado investigativo. Por algum motivo, o Lefty recusou ouvir a fita da morte dos jovens irritantes e depois pediu para que ela fosse tocada na rádio.

A questão é: o plano dele era fazer a polícia cooperar com ele ou apenas atrair os canibais para a rádio? A primeira opção não faz o menor sentido e a segunda, além de não ter sido explicitada, ainda o tornaria um babaca.

Quando ele comprou as motosserras, pensei que fosse para fazer testes de corte e progredir a investigação. Talvez provar para a polícia que os danos supostamente acidentais eram compatíveis com os efeitos da motosserra. O que O Massacre da Serra Elétrica 2 fez com ele foi muito inesperado.

Antes de avançar na cronologia, o ataque dos canibais à rádio deixa claro um grande problema deste filme. Ele se arrasta demais quando não deve. Muitas de suas cenas, que deveriam ser tensas, se tornam tediosas por demorarem demais. É irritante ver como o filme insiste em não andar e como a Vanita fica parada esperando alguma coisa acontecer ao invés de fugir.

Quando os protagonistas se encontram perto do covil inimigo, O Massacre da Serra Elétrica 2 joga fora qualquer possibilidade de estender a trama mais policial e abre um (conveniente) buraco no chão abaixo da Vanita, engolindo-a rumo a um slasher de dois personagens só.

A partir daí, ela grita, manipula o Leatherface, é ajudada por ele, participa de um insuportável jantar em família e sofre algumas tentativas de abatimento por parte do avô. Esses dez anos fizeram muito bem para ele.

Enquanto acontecia qualquer coisa irrelevante com a Vanita, já que os canibais pareciam totalmente desinteressados em matá-la, o Lefty colocou em prática seu genial plano. Ele sacou uma motosserra, entrou no covil inimigo e saiu gritando e cortando, pacientemente, vigas de madeira.

Acho que o objetivo dele era matar todo mundo que estava ali dentro num desabamento, afinal, se o interesse fosse matar os canibais, ele teria usado uma arma de fogo para acabar com eles, ao invés de perder tempo num épico duelo de motosserras com o Leatherface (sim, foi muito legal).

Outra coisa estranha foi ele ter hesitado quando o pai de família ofereceu dinheiro. Pareceu que a oferta o bambeou e ele só saiu do transe quando viu a namoradinha do Leatherface.

Esse duelo final é legal, mas a fuga da Vanita foi deveras irritante. Ela claramente tinha condições de acabar com o perseguidor, mas preferiu fugir, fugir e fugir, até se enfiar em uma casinha no alto e ficar olhando feito idiota para a vovó canibal (o perseguidor chegou a ficar pendurado, quase caindo, e ela não o golpeou fatalmente).

O Massacre da Serra Elétrica tem, no final, uma cena do Leatherface dançando com a motosserra na mão. O Massacre da Serra Elétrica 2 tem, no final, uma cena da Vanita dançando com a motosserra na mão. As duas são igualmente patéticas.

O pior é que o filme acaba sem que os dois personagens principais se encontrem e a trama dos canibais tenha de fato um desfecho (incluindo a descoberta da polícia e toda a burocracia do processo). O final me pareceu abrupto, mas nada muito ruim, comparado a todo o resto.

Basicamente, o único acerto de O Massacre da Serra Elétrica 2 é tentar continuar a história do primeiro filme. O resto é horrível. Atuações ruins, mortes ruins, vilões ruins (Leatherface me deu uma vergonha alheia tremenda quase o tempo todo), heróis ruins e ritmo ruim.

O Massacre da Serra Elétrica 2 é um filme muito ruim, fazendo jus à qualidade de seu antecessor.

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