Crítica | Turma da Mônica Jovem vol. 48: brilhante e épico

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O vol. 48 de Turma da Mônica Jovem é fantástico. Ele é bom em tudo e se sai muito, mas muito melhor que os volumes anteriores. Seus maiores defeitos estão na capa e na contracapa. Por que a Mônica está na capa se ela é irrelevante na trama? Por que aquele personagem está na contracapa? É um spoiler imenso.

Para começar, a arte deste volume está muito boa. Dá gosto apreciar o cabelo do Cebola e o design dos personagens como um todo. As duas formas do vilão são belas e há apenas um quadro mal desenhado (é um close no rosto do Cebola de um ângulo diferenciado).

O protagonista de Desafio Dimensional é o Cebola. A história faz uma preparação coerente para a decisão do Cebola de desafiar o Cleiton. Sabemos muito bem que ele é obcecado por vencer, então um grande desafio é um incentivo perfeito.

A surpreendentemente avassaladora vitória do Cleiton ajudou a criar uma perspectiva de que ele era incrivelmente habilidoso. Me empolgou muito, mas há um problema nesse princípio.

É comum que, em obras fantasiosas, algum personagem tenha que explicar as regras para que o público as saiba. Em geral, o protagonista é um novato que precisa saber mais sobre o lugar, mas Desafio Dimensional faz o Cascão explicar o básico do jogo para o Cebola, que supostamente jogara muito bem o mesmo jogo em algum momento. Soou forçado e pouco criativo.

Achei desnecessário o enfoque dado na birra da Mônica com a obsessão do Cebola. Está certo que vimos coisas ruins decorrerem desse traço da personalidade dele, mas, em um volume cujo propósito não é evoluir o Cebola, essa inserção ficou gratuita e vazia.

O transcorrer do enredo, com os desaparecimentos e o treino do Cebola, é bem trabalhado. Fiquei apreensivo com os personagens que sumiam e compreendi que o Cebola estava ficando melhor no jogo. Era evidente que o Cleiton estava envolvido nos desaparecimentos, mas o resto da verdade me surpreendeu muito.

Uma das coisas que eu sempre quis ver mais em Turma da Mônica Jovem é a integração das histórias, de modo que os volumes considerem o que ocorrera anteriormente. Comumente as tramas não se conectam, mas Desafio Dimensional conta com elas e as une na execução de um grande épico que poderia muito bem ser o final de Turma da Mônica Jovem (ou o final da Supersaga do Fim do Mundo, que resenharei em ordem cronológica num futuro próximo).

É semelhante ao que ocorreu em Vingadores: Ultimato. Nós vemos os heróis travarem uma batalha decisiva com os vilões pelo destino de… suas memórias (certo, a ameaça do vilão podia ser muito mais grave). A ênfase aqui está em “vilões”.

Desafio Dimensional traz de volta avatares de saudosos vilões que eu muito aprecio, como o Poeira Negra (subutilizado pelas decepcionantes Quatro Dimensões Mágicas) e o Doutor Bikkuri (do excepcional Monstros do ID). A grandeza individual destes vilões serve como escada para o crescimento da epicidade do volume 48.

Cleiton, o chefão da vez, é uma criatura da dimensão Tchalu, a terra das batalhas, dos jogos. Ele ficou cansado de ser o melhor e passou a procurar por desafiantes à altura, até que encontrou o Cebola, quem conhecia de sua terra natal.

O mais impressionante é que o Cleiton guardou todo mundo da turma no bolso apenas por diversão e eles só foram libertados por ele ser um jogador justo. Ao longo de Turma da Mônica Jovem, tenho a impressão de que não somos apresentados ao todo daquele universo.

Resumidamente, os feitos da Yuka e do Poeira Negra indicavam que no multiverso existem muitos seres poderosos, só que tais seres nunca davam as caras. Em Desafio Dimensional conhecemos um desses seres. Por isso eu gostei tanto do Cleiton (Cleiton é um nome mais legal de dizer que Dimas).

Desafio Dimensional também aproveita algumas lembranças de outras histórias da Turma da Mônica Jovem e as referencia durante o duelo decisivo. Um épico duelo de cartas em que eu vibrava a cada quadro e parava para admirar a qualidade do que estava lendo. Desde a minha leitura da primeira parte do Caderno do Riso eu não me empolgava tanto com essa franquia.

Quando o Cleiton voltou aos 10 pontos de vida, contra 2 do Cebola, eu senti o desespero. E a lógica da estratégia final me convenceu e me fez vibrar. O desfecho do volume foi pertinente, com o Cleiton mantendo a postura de um bom jogador e fazendo mais um de seus caprichos.

Não tenho nada a reclamar quanto à história de Desafio Dimensional. Sobre aspectos rotineiros, o humor é fraco, apesar das boas piadas com o Do Contra. Antes de finalizar a resenha, gostaria de dizer que este Cebola é fantástico, tanto em personalidade quanto em diálogos. É de longe o melhor personagem da franquia.

O vol. 48 de Turma da Mônica Jovem é, em definitivo, um dos melhores da franquia. O enredo é ótimo, a arte é ótima, o roteiro é bom, o desfecho é muito bom e a sensação final é de que valeu cada centavo que paguei por ele.

Agora tenho menos medo de que estraguem Monstros do ID no próximo volume.

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