Crítica | Turma da Mônica Jovem vol. 49: tristemente ruim

Link para compra na Amazon

Quando eu vi que a edição do mês de dezembro de Turma da Mônica Jovem retomaria a mitologia dos monstros do ID, fiquei muito receoso. Por mais que eu sempre tenha quisto uma atitude nesse sentido, considerando o histórico de qualidade, era mais provável o roteirista errar do que acertar.

E errar em uma sequência de uma das melhores, senão a melhor, sagas de Turma da Mônica Jovem seria inadmissível, em especial por sugerir uma comparação direta. De Médico e Louco é melhor que as edições 45 e 47, que são horríveis, mas não serve para limpar a chuteira de Monstros do ID.

Esta aventura chega a ser uma ofensa do roteirista Marcelo Cassaro ao seu próprio brilhante desempenho nos volumes 15, 16 e 17. Antes de falarmos sobre o conteúdo, abordemos a problemática forma do volume 49 (farei de forma um pouco mais descritiva desta vez).

O início é promissor, apresentando o Mundo ID aos protagonistas (que não se lembram da aventura original). É assustador, com destaque para o muito bom monstro da Magali. Mais interessante é que estejam fazendo terapia, algo lógico diante dos problemas que passam.

O vol. 49 gasta um tempo mostrando o quarteto agindo como crianças e insere o Licurgo, agora diretor da escola, e o Nimbus como “pessoas que sabem”. Então a trama define o rumo que tomará tornando Licurgo a princesa no alto da torre e Nimbus o mentor (mais adiante verão a preguiça desse elemento).

Sem enfrentar nenhum desafio, o quarteto encontra a vilã e o Licurgo explica o roteiro para eles: a terapeuta foi sua companheira e quer vingança contra ele, por isso atiçou os monstros da turma e alterou seus comportamentos. O Nimbus fica lá exaltando o poder da vilã e os duelos 1×1 começam.

A Mônica vence o Akanin não lutando, o Cebola vence o Soranin com uma espécie de acordo de cooperação, Cascão vence Kainin superando seu medo da água e a Magali fica amiga do monstro dela.

Essas quatro coisas aconteceram na trilogia com um primor inigualável, enquanto que em De Médico e Louco soa extremamente superficial, artificial, rápido e repetitivo.

Por motivo nenhum os uniformes do quarteto mudaram de aparência e eles não usaram seus poderes específicos nem o ID Robô. A grande sacada para derrotar o inimigo foi o Licurgo pedir desculpas a ela pelo que fez.

O que ele fez? Não sei e o Nimbus disse que fica para outro dia. O mistério que embasa todo o conflito deste volume foi simplesmente relegado a alguma outra edição que eventualmente surgirá no futuro.

Como o fio condutor da trama não é encerrado, podemos dizer que De Médico e Louco é uma história incompleta. Em outras circunstâncias, este volume teria de aproveitável o desenvolvimento dos personagens e do Mundo ID. E é aí que nasce o maior problema do vol. 49.

O desenvolvimento horroroso dado para o quarteto protagonista é inútil, pois ele repete ideias usadas na saga original e não acrescenta nada aos personagens, já que eles perderam a memória novamente.

A fraca exposição do Mundo ID também é inútil, pois não agrega absolutamente nada, só repete ideias. E como tem ideia repetida aqui. Além das batalhas dos protagonistas, Cassaro usou o mesmo mecanismo de Monstros do ID: na ocasião, Nimbus foi a princesa no alto da torre e Licurgo foi o mentor. Ele só inverteu os papéis.

Novamente, o Nimbus só serviu para ficar afirmando o quão poderoso é o vilão (fala sério, como é que eles foram fisicamente para o Mundo ID via hipnose? A viagem conduzida pelo Licurgo parecia física). Vilão este cuja motivação está de novo vinculada ao Licurgo e que, de novo, não ficou clara. A diferença é que o Doutor Bikkuri nos deu subsídios para supor o que preencheria as lacunas, mas a terapeuta não.

De Médico e Louco ainda fez sua batalha final ser ridícula. Foi vencida com facilidade e os protagonistas não fizeram nada, nem demonstraram as habilidades que detiveram na trilogia. Se algo devia ser repetido, era o conjunto de regras e de habilidades já conhecidas pelo público, não recursos narrativos.

De Médico e Louco é um volume péssimo porque refaz muito mal feito o que já fora estabelecido e o que acrescenta vem de forma incompleta, não o tornando uma experiência em si, mas um meio do caminho, algo inadmissível quando ocorre em uma aventura completa.

O vol. 49 de Turma da Mônica Jovem é uma ofensa ao Monstros do ID. Tirando alguns bons toques de humor (como a piada com o Do Contra), De Médico e Louco é uma história ruim que não merece ser lida por ninguém.

Quando for explicado o que houve com a Talianna, reavaliarei minha teoria sobre a relação Licurgo/Bikkuri.

Um comentário

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s