Crítica | A Tribo (2009): padrãozão dispensável

Ficha técnica no IMDb

Sinopse no Prime Video: Quando um acidente de barco devastador naufraga um grupo de amigos, eles acabam parando em uma ilha desconhecida. Brutalmente, eles são escolhidos para morrer um a um por um inimigo canibal, que brinca sadicamente com a ideia de presa e predador.

Minha sinopse: Um grupo de amigos viaja num barco em clima de festa. O bom humor se esvai quando a embarcação naufraga e eles ficam ilhados, enfrentando, além do drama óbvio, um grupo de macacos monstruosos comedores de homens.

Meu primeiro problema com A Tribo está na sinopse. Falar em canibal sugere que o espectador verá algo como uma tribo indígena, no estilo de Holocausto Canibal. O inimigo é, na verdade, algo monstruoso. São uns macacos que agem como vilões padrões de slashers, sem nenhuma história que os justifique. Não há brincadeira sádica alguma, é só o predador dando botes na presa.

E que macacos mais toscos. Pareciam vilões de Power Rangers. A ação com eles é sem graça e, até o fim, nada neles me agradou. Péssimo vilão em todos os sentidos. Não apenas pelo seu próprio desempenho, mas também porque nada no filme o ajuda a ser bom.

O início de A Tribo tem uma cena genérica de ataque do macaco que se liga ao diário conveniente encontrado pela protagonista, o qual não acrescenta absolutamente nenhuma informação relevante sobre o inimigo. É bizarro que tenham se dado ao trabalho de fazer essa conexão sendo que não havia nada para revelar.

Ainda no início, há uma cena em que o casal principal finge que não se conhece, como se estivessem realizando uma fantasia ou gravando um filme. É um plot twist de graça e não serve para nada. O único ponto talvez positivo é que conversa com o principal elemento no filme: o relacionamento do casal protagonista.

No barco, o homem recusou uma ligação e ficou de frescura quando a mulher quis pegar o celular para ver quem era. Essa atitude suspeita a fez supor que ele a estava traindo, o que já fizera, em outra ocasião. Já na ilha, de modo surpreendente, o homem a pediu em casamento. Talvez tenha inventado isso para agradá-la, mas é possível que já fosse sua intenção desde o começo. Foi surpreendente.

Meu palpite é que ele é um canalha e a faria sofrer vezes mais com suas traições, já que a ligação não atendida não foi explicada. Em mais duas oportunidades a protagonista valoriza seu laço com ele: quando o encontra morto e no final, quando olha para o pedido escrito na areia da praia (bem romântico, não?).

Não existe um verdadeiro arco de personagem desenvolvendo a relação entre eles, mas esta subtrama é, basicamente, a única coisa que A Tribo me oferece para analisar. Os personagens não importam, a ilha não importa (eles não enfrentam os problemas inerentes ao naufrágio), os macacos poderiam ser substituídos pelo Jason que quase nada mudaria e o final não é conclusivo.

O elemento que é particular dos macacos é a protagonista ter sido poupada, já que o macaco alfa gostou dela, e ela ter conseguido se camuflar usando o cheiro, algo que achei bem interessante, mas mal explorado. São detalhes bem convenientes que não dá para perdoar quando ocorrem em filmes tão ruins quanto este.

Final inconclusivo não é ruim por si só, mas depois de ver um filme inteiro sem conteúdo, acabar antes de sabermos se a protagonista conseguirá sobreviver à viagem de bote em alto mar é absurdo. O diretor claramente se empenhou para que A Tribo fosse completamente irrelevante.

Comentários pontuais:

Se nem o navegador sabia com exatidão onde estavam, como poderiam considerar a hipótese de subir no boate e se lançar ao mar? Ideia de girico.

Os personagens morrem muito rápido. Em 45 minutos vai 1 e é sugerido que foram mais 2, isto sem que essas mortes importem para mim.

Por que, ao invés de continuar correndo, a protagonista para e fica olhando para o lugar de onde provavelmente sairiam os macacos? Não faz nenhum sentido.

Foi bem forçado a protagonista retomar o facão que a outra personagem encravou na vegetação em 1922, mas achei legal.

Resumo da ópera: A Tribo é um filme ruim que não faz nada direito e não merece ser visto por ninguém.

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