Crítica | Target: Mira Mortal (2018): 80% tosco, 20% quase bom

Ficha técnica no IMDb

Presas em um prédio vazio, nove pessoas são forçadas a participar um jogo mortal. Todos seus movimentos são gravados e somente um jogador poderá sobreviver.

Target: Mira Mortal é um filme extremamente burro. Ele não é apenas ruim, mas é burro. É burro porque sua ruindade é proposital, não um acidente. Target: Mira Mortal escolheu ser tosco, ter um roteiro ruim, um andamento meia boca, não conservar a ideia inicial e desprezá-la. Se quisesse, Target: Mira Mortal seria um bom filme.

Uma prova dessa escolha debiloide de Target: Mira Mortal é a comparação de três cenas de ação. “Aquelas” três cenas de luta. A primeira tem momentos inspirados, mas é forçada demais no humor bobão e acaba sendo longa demais; a segunda é muito boa em coreografia e execução; a terceira é ridícula, parece que ambos estão em câmera lenta e o vilão claramente tem condições de reagir, mas fica apenas recebendo golpes do herói.

A minha intenção com esta resenha era apenas descascar Target: Mira Mortal, devido à sua ruindade, mas o final do filme me fez pensar um pouco mais acerca do quão eu desgosto da intenção do diretor do filme. A pergunta que não quer calar é: por quê?

O que leva um cineasta a querer produzir uma obra cinematográfica que parece querer ser uma mistura extremamente piorada de Os Caras de Pau, Patrulha Salvadora e Os Trapalhões? O resultado é um conjunto de piadas estúpidas, que tentam brincar com o próprio ato de fazer um filme, polvilhadas por cenas de ação de qualidade duvidosa.

Ele claramente sabia fazer direito, mas preferiu ficar na tosquice, especialmente bem representada pelo humor patético de Target: Mira Mortal. É possível fazer filmes de comédia bons. É possível até mesmo fazer filmes de comédia boba bons, mas Target: Mira Mortal chega ao fundo do poço.

Ele faz piadas com: homossexualidade masculina, gordo e a clássica piada de Chaves em que um personagem tenta bater em alguém, mas acerta outra pessoa. Esta última é mal feita e óbvia, o que a torna patética. As piadas com gordo são imbecis. “Olha só, que engraçado, o gordo quer comer muito e ficou com a cara suja de comida hahaha”. A comédia foi mal feita de propósito, igual ao roteiro?

Se foi, então por que qualquer pessoa iria perder tempo assistindo a este filme? Qual é a moral de fazer algo ruim de propósito sem trazer mensagem alguma? Circus Kane é um filme tecnicamente fraco, mas que possui uma mensagem inteligente. Esta seria uma justificativa para a ruindade.

A sinopse de Target: Mira Mortal nos leva a crer que assistiremos a um escape room, mas tal atmosfera é quase nula. O primeiro desafio quase não envolve risco, o segundo eu não entendi qual era a da piada e o terceiro é legal, mas só isso. Pouco desafio e desvio da interessante proposta inicial para focar excessivamente no “pessoas tentando se matar”.

Como os personagens não entram na ideia do jogo, eu não consegui me importar com a situação, comprar o risco e o drama. Juntando tudo isso, resumidamente, o filme não funciona. Target: Mira Mortal só acerta de verdade no final, com um competente (embora exaustivamente explicado) plot twist.

Bons plot twists não salvam filmes ruins. É triste ver uma possivelmente genial metalinguagem ser desperdiçada dessa forma.

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