Crítica | Floresta do Mal (2007): bom demais pra ser trash

Ficha técnica no IMDb

Um grupo de pessoas participantes de um reality show na floresta acabam lutando de verdade pelas suas vidas quando descobrem que uma família de canibais deformados deseja esquartejar a todos.

Floresta do Mal é a continuação de Pânico na Floresta, só que, devido a problemas de direitos autorais, outro filme foi registrado como Pânico na Floresta 2. A confusão se estende para outros filmes, mas veremos isso no futuro.

A começar, Floresta do Mal é um bom filme. Alguns momentos pesam na falta de seriedade, mas, no geral, ele é competente e cria boas situações para se fundamentar. Ele pode ser resumido como “sólido”.

Existe uma vastidão de filmes de pessoas juntas num lugar diferenciado sendo perseguidas e mortas. A esmagadora maioria deles tem como premissa pessoas viajando, mas Floresta do Mal usa um enredo de base criativo e interessante: um reality show acidentalmente no pior lugar possível.

A ideia do reality justifica serem pessoas desconhecidas juntas e o fato de não se conhecerem justifica diálogos mais expositivos e construtivos de suas personalidades e respectivos passados.

Em nível pessoal, os personagens não são lá muito interessantes. Gostei da produtora e simpatizei pela militar. A primeira por evocar certo desenvolvimento, a segunda pela personalidade e características gerais.

A produtora aceitar participar do jogo de sobrevivência foi interessante por si só e se conecta ao namorado dela, o diretor do programa. Embora ela tenha se disposto a fazer algo tão desconfortável, ele a traiu com outra competidora do reality. O mundo não é justo.

Essa sequência sensual do diretor gerou dois pontos interessantes. Ele queria que o ex-atleta e a mulher tivessem um envolvimento físico para atrair a atenção do público, que é uma estratégia clássica dos realitys shows. Afinal, quantos dos relacionamentos que vemos em programas de TV são reais? O que é real?

O outro ponto é a referência a uma situação que sabemos que acontece muito: pessoas usam favores sexuais para subir na carreira. Alguns casos disso se tornam escândalos midiáticos. Estes aspectos compõe uma pertinente caracterização do universo da TV.

Gostei bastante das cenas que exploram o reality show em suas regras, prosseguimento e possibilidades. Gostei tanto que queria ver um filme focado apenas nisso, um reality observado pelos bastidores.

A traição ainda respinga como um tema quando a esposa canibal mata a mulher por ser objeto de interesse do marido canibal. A outra cena deste casal eu prefiro nem comentar.

Esses aspectos que eu comentei não são muito bons, mas dão muito mais corpo a um tipo de filme que geralmente é inócuo. Tal esforço torna Floresta do Mal um filme muito superior aos trocentos outros que contam uma história semelhante. Só que não é só pelo lado sem terror que este filme se destaca.

Quando um herói, ou melhor, “o” herói, encontra o pai dos vilões, este lhe conta a história do lugar. Eu perdoei a conveniência da situação devido à qualidade da explicação:

Um acidente com produtos químicos causou a morte da maioria dos animais da região e alterou a genética de uma família, a qual produziu descendentes super resistentes e deformados. Assim, o roteiro justifica a dificuldade em vencer os canibais e dá um motivo para eles serem canibais.

Aprecio esse tipo de cuidado com o roteiro, pois demonstra que a equipe de produção levou o trabalho a sério e tentou fazer um bom filme.

Os canibais tem uma boa caracterização enquanto pessoas preocupadas com a produção de comida e há uma cena de jantar, parecida com a que há em O Massacre da Serra Elétrica. Lá é ruim, aqui é bom.

O choque dos vilões com os mocinhos foi bem legal. O militar fez tudo, arrebentou todos lindamente, mas, infelizmente, morreu. O mundo não é justo. Alguém com a garra dele merecia ser o sobrevivente muito mais que os outros, os quais foram resgatados por ele.

A ação no filme, como um todo, foi bem feita e empolga. Tem alguns momentos que me incomodaram por ser uma câmera balançante, mas, continua sendo o maior ponto positivo de Floresta do Mal.

Os erros do filme são aqueles de sempre: personagens burros e irritantes. O idiota foi tão eficiente em ser idiota que eu torci para que ele morresse logo. Infelizmente, ele foi junto com a militar.

Floresta do Mal é um filme de terror bom demais para ser considerado trash. É provavelmente o melhor desse gênero que eu assisti nos últimos tempos (ou, pelo menos, é o melhor que eu já resenhei).

Observação: a cena do churrasquinho de Kimberly é muito boa.

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