Crítica | Perigo em Alto Mar (2010): nada de relevante

Ficha técnica no IMDb

Baseado em fatos reais, este longa mostra uma viagem de barco que tinha tudo para ser inesquecível, mas que se torna um verdadeiro pesadelo para quatro jovens quando a embarcação acaba tombando em alto-mar. Sem conseguirem reverter a situação, decidem que a melhor maneira de sobreviver é nadando até a ilha mais próxima, e, durante o percurso, descobrem que estão sendo seguidos de perto por um enorme e faminto tubarão branco.

Perigo em Alto Mar é só mais um filme qualquer coisa sobre pessoas que acabam perdidas no oceano. Nele não há nada de relevante, nada que o torne especial, exceto, para alguns, o detalhe de ser baseado em uma história real.

Seus personagens são completamente descartáveis. São apenas isca de tubarão para fazer acontecer o que o público quer ver. Há um casal principal que consiste em duas pessoas que se separaram por algum motivo, mas que se beijam sem muita conversa. O homem é o único personagem que me despertou algum interesse ao longo do filme.

Claro que não foi por seu complexo desenvolvimento ou seus diálogos magistrais, mas sim por ser preparado para lidar com a situação.

Assim que o problema com o barco surgiu, Luke fez considerações óbvias: o barco vai afundar e é muito difícil que eles sejam encontrados. Ele também se orientou para encontrar a direção da ilha mais próxima, que seria o caminho para a salvação deles.

Então surgiu o dilema: ficar no barco esperando a ajuda cair do céu ou nadar 20 quilômetros até a ilha, sabendo que poderia topar com tubarões? A resposta é óbvia, mas é dura de aceitar. Provavelmente esse sentimento de desolação é o maior ponto positivo de Perigo em Alto Mar, responsável por trazer o toque de terror que o filme precisava ter.

Essa obviedade se torna um problema no decorrer do filme. O tempo todo a única coisa que os personagens podem fazer é nadar e nadar até chegar à ilha. Apesar disso, inúmeras vezes eles param para procurar o tubarão e ficar olhando para ele, como se fossem dar um jeito de atacá-lo.

Além da chatice dessas pausas, existe um excesso de gemidos e gritos que, ainda que sejam coerentes com a situação, são bastante incômodos. Unindo estas duas características, o resultado é um filme que parece exageradamente longo, chato e irritante.

Os ataques do tubarão são contidos, de modo que não há violência explícita. Não considero isto positivo ou negativo, mas é um degrau a mais no tédio proporcionado por Perigo em Alto Mar (tédio não no sentido de não haver risco, mas no que diz respeito ao que poderia ser feito e seus resultados).

Me incomodou muito que o tubarão aparentemente leu o roteiro, pois só ataca de modo conveniente para o filme. Durante a noite, quando as câmeras estavam desligadas, ele nem deu sinal de vida. Esperou pacientemente pelo dia seguinte para atacar outra vez.

O final do filme foi um tanto injusto, para a surpresa de ninguém, com o Luke sendo pego pelo tubarão. O que mais me estranhou nessa sequência final foi que ele seguiu com o plano idiota de a mulher ajudá-lo a subir, sendo que a pedra era lisa e claramente ela não teria forças para tal. Por que não procurar por outra beirada mais fácil?

Levando em conta que o casal atravessou todo o caminho e só foi atacado quando estava quase em terra firme, presumo que o tubarão tenha percebido de última hora que uma das cláusulas do contrato era não deixar mais que um sobrevivente, aí ele se apressou para correr atrás do prejuízo.

Perigo em Alto Mar é um filme menos que regular que eu não recomendaria a ninguém. Se alguém quiser ver um filme sobre pessoas sobrevivendo no mar, indico os gêmeos Perdidos e Pânico em Alto Mar. Diga-se de passagem, é difícil encontrar um bom filme com esta temática.

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