Crítica | Turma da Mônica Jovem vol. 40: legal, mas… simples

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O vol. 40 de Turma da Mônica Jovem conta uma história mais voltada ao terror ecológico, utilizando como base uma possibilidade real: o desastre da importação de espécies estranhas ao nosso ecossistema. Falando assim ele até parece bom, mas, na verdade, é muito simples.

A trama não traz nenhuma lição de moral, não explora as consequências ambientais da estupidez da Rebeca e resolve o problema de uma forma absurdamente simples que podia ter sido feita antes da metade do vol. 40. A Mônica subjugou o largartão como se ele não fosse nada. Foi tão fácil que me fez sentir que não valeu a pena ter lido esta aventura.

Em suma, é como se nada neste volume importasse ou tivesse significado. É só mais um dia comum no bairro do Limoeiro. Esta é a tônica de todos os volumes a partir do 40 (exceto o espetacular vol. 48): desenvolver basicamente a premissa da história e ficar por isso mesmo.

Me incomoda demais ver que Turma da Mônica Jovem parece ser idealizada de qualquer jeito. É simplesmente qualquer ideia de qualquer jeito dentro de um único volume. Como consequência, a qualidade da franquia está em baixa.

Um ponto positivo de O Mistério do Bumerangue é a condução narrativa do terror/mistério. A ambientação em um lugar em que os animais domésticos estão agindo estranho e os pássaros sumiram é intrigante. Um elemento que ajuda muito nessa “intrigância” é a prima do Cebola que devia ter chegado há três semanas. O que será que houve com ela? — Eu me perguntava.

De forma revoltante, o roteiro jogou esse bom mistério humano no lixo com a explicação de que a Rebeca chegou, mas o Cebola fica tão concentrado com seus jogos online que não percebeu.

Dar essa justificativa é chamar o leitor de burro. Mesmo que o Cebola fosse um completo imbecil e vivesse chapado ainda teria eventualmente percebido a presença de uma pessoa nova na casa.

Como o Cebola não percebeu que sempre havia um prato extra na refeição? Como nunca viu a Rebeca andando pela casa para, por exemplo, escovar os dentes? Dizer que ela sempre saía escondido e mal parava em casa também é ridículo. Então quer dizer que ela passava horas e horas escondida por aí jogando bumerangues inutilmente no lagartão?

Não sei o que é mais estúpido, essa explicação ou a ideia de girico da Rebeca de caçar sozinha o lagartão apenas para “resolver o problema criado por ela”. A fala do Cebola sobre australianos serem responsáveis não é justificativa, até porque, ser responsável seria chamar a polícia ambiental, não bancar a caçadora de dinossauros.

Mais uma vez: a Rebeca realmente acreditava que alguma hora o lagartão iria desmaiar de tanto levar bumerangue na cabeça? É muita forçação de barra.

E o final aperfeiçoa a perspectiva quanto à burrice dela, pois descobrimos que ela possui muito mais ovos altamente perigosos para o ecossistema brasileiro. Parabéns, Rebeca, você está prestes a causar um ecoapocalipse.

O pior de tudo é que o roteiro olha para essa jumentice da prima acebolada e diz: “Beleza, bola pra frente”. Ele sequer dá uma lição de moral nela ou faz uma discussão mais séria e profissional quanto às consequências desse tipo de importação animal.

Se tirar as assustadoras aparições do lagartão, com seus olhos brilhantes e solitários, temos um volume sem uma narrativa que se sustente bem até o fim e com uma temática fraca, a qual não possui um desfecho à altura do absurdo realizado pela Rebeca.

A arte do vol. 40 é uma atrocidade à parte. Existem closes horrorosos no rosto dos personagens e vários momentos em que a expressão facial deles, principalmente da Mônica, não condiz com o que estão falando (ou com o que deveriam estar sentindo).

Em um quadro o Cebola aparece com um cabelo grande, no outro o cabelo aparentemente encolheu e ele ficou com um cabeção. O pior é que o quadro é na página seguinte. Difícil acreditar que eu paguei R$ 11,00 nisso.

De O Mistério do Bumerangue eu não salvo nem o título. Ele dá a entender que o bumerangue é relevante para a história, o que é um erro. Isso engana o leitor e pode fazer pessoas que gostariam da temática passarem longe, achando que a trama aborda elementos fantasiosos.

O vol. 40 de Turma da Mônica Jovem tem alguns momentos inspirados, mas, no todo, é ruim. Ele escolhe ser chato e superficial, explorando uma personagem estúpida.

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