Crítica | Quando Ninguém Vê (2020): o fantoche da justiça

Ficha técnica no IMDb

Pamela ganha um antigo teatro de marionetes de presente de aniversário. De repente, um dos bonecos ganha vida e promete revelar segredos misteriosos.

Quando um filme capricha numa trilha sonora voltada ao terror e introduz um fantoche que ganha vida, a reação natural de quem vê é esperar que ele seja mau e faça coisas ruins. A graça de Quando Ninguém Vê é que ele inverte essa expectativa e torna o fantoche um personagem ávido por fazer justiça.

Antes de chegar ao positivo, falemos do negativo. A trilha sonora, em alguns momentos, parece querer que eu fique tenso, só que não há nada tenso acontecendo. Nessas vezes eu até me desconectei um pouco do que via por causa dessa estranheza.

Outro problema do filme é que ele é meio parado e arrastado, quase ao ponto de não estar acontecendo nada. Essa perspectiva de “nada acontece” é reforçada caso o espectador espere ver um filme de terror ou, pelo menos, ver o fantoche fazendo maldades.

Diferente do obviamente dedutível, a Pamela nunca fica em perigo e o fantoche nunca é uma ameaça. O que guia a trama é a interação do trio Nubia, Bernardo e Esteban. E aqui começam os acertos, conforme o filme progride e sua trama se revela.

A princípio vemos uma família feliz. Rusgas aparecem e descobrimos que a esposa e o irmão tramam matar Bernardo. Assim ele se torna a vítima e pessoa a ser protegida. Sentimos pena dele e nos revoltamos com os planos dos vilões, só que a Nubia e o Bernardo tinham um contraplano para matar Esteban, e aí ninguém mais é inocente.

Com tal reviravolta, o espectador se vê forçado a mover sua admiração para os únicos personagens bonzinhos da trama, a Pamela e o fantoche, o qual tentou alertar tanto Bernardo quanto Esteban dos planos que teriam para matá-los.

Como plot twist final, Quando Ninguém Vê revela que a Nubia tinha mais um plano por detrás do plano. Seu objetivo, desde o princípio, era matar Bernardo e Esteban para assumir a presidência da empresa. É pertinente, válido e amarra bem o conteúdo do enredo.

Vislumbrar a vitória da Nubia me incomodou porque parecia premiar um mau comportamento e não conectar o fantoche à trama em si, pois ele atuara, até então, como um mero observador que ensina umas canções sinistras. Felizmente, o final conclui tudo e o terceiro elo da maldade não sai impune.

Quando Ninguém Vê é um filme satisfatório que não entrega nada do que se espera de um filme de brinquedo assassino. Seu enredo é simples, funcional e me agradou. É preciso assistir de mente aberta e sem muitas exigências para poder aproveitar a experiência. As cenas de violência são o suficiente e as reviravoltas são boas, mas nada de outro mundo.

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