Crítica | Pânico na Cabana (2018): mal feito, previsível e sem sentido

Ficha técnica no IMDb

Pânico na Cabana é um filme ruim. Chega a parecer amador. Ele é tão ruim que aquela meia hora inicial para introduzir os personagens, geralmente chata, é a melhor parte do filme.

Conhecendo a família da namorada Sarah na véspera de Natal, Ryan deve provar suas boas intenções e ganhar a aprovação do pai, Greg Thomas, enquanto tenta esconder o ciúme do ex-flerte da garota, Tyler. Quando uma nevasca começa a cair, começa também o mal por trás das câmeras, com a família Thomas caçada um a um. Eles lutam para permanecer vivos, enquanto sua força em números lentamente diminui.

O primeiro terço de Pânico na Cabana carrega uma interessante atmosfera romântica. Ryan foi passar um tempo com a família da namorada com a intenção de pedi-la em casamento, só que o pai dela não confia nele enquanto protetor de sua filha, especialmente devido a Ryan não ter um emprego aparentemente estável.

É nítido que o Greg não gostava dele e que seria difícil Ryan convencê-lo. Como Pânico na Cabana infelizmente tenta ser um slasher, esta interessante trama amorosa/familiar é deixada de lado para que o filme se concentre no que deveria ter de melhor: um assassino mascarado que reduz o tamanho da família aos poucos.

Antes de chegar ao terror em si, uma coisa que me incomodou profundamente foi a dublagem da Natalie, mãe da Sarah. Além de a dubladora falar muito como se estivesse sorrindo, a voz dela é muito fina e jovem, chegando a ser incoerente com a aparência da personagem. Parece voz de desenho animado, não de live action.

Ao longo da parte preparatória, Pânico na Cabana apresenta um homem estranho que trabalha para a família Thomas, um policial estranho que implica com o Ryan e o Greg (que tem um colega policial) e o “ex-flerte” da Sarah, Tyler.

É óbvio que o jeito bizarro dos dois primeiros foi inserido na trama para que fossem suspeitos de ser o assassino mascarado. Também é óbvio que eles só apareceram para morrer pelas mãos do mascarado para que ocorresse um plot twist ao final do filme.

Além de óbvio, é mal feito. Ficou caricata a introdução e as mortes não tiveram peso dramático, funcionando apenas como uma mensagem do roteirista para o espectador (“Ahá, não é esse aqui!”). Considerando que o único dos três que possuía um motivo para atacar era o Tyler, só podia ser ele. Só que…

Por que ele forjaria a própria morte? Há filmes em que faz sentido o vilão tentar se passar por inocente, só que em Pânico na Cabana o objetivo do vilão é simplesmente matar todo mundo, então qual a vantagem da farsa?

No final do filme, Tyler disse que tinha que fazer aquilo porque é um clichê o ex-namorado ser o assassino. Já que Pânico na Cabana não é um filme de temática metalinguística, este é o principal motivo para o veredito que darei logo mais.

O andamento do filme é estranho. Ryan vai pegar lenha e deixa a porta da garagem aberta, então o mascarado entra e pega a câmera dele, com a qual filma suas vítimas. Aquilo foi tão anormal e compatível com o comportamento do Ryan que cogitei a possibilidade de o plot twist envolver um episódio de loucura do Ryan.

Por que a filmagem? Não faço ideia.

Um momento meio patético foi quando o Greg foi averiguar o barulho do lado de fora da cabana. De maneira lógica, ele pegou sua espingarda e saiu. De maneira ilógica, a Sarah e a Natalie começaram a gemer de pavor.

O patético está em Ryan, que sequer se ofereceu para acompanhar Greg e, sei lá, talvez, quem sabe, cobrir as costas dele para impedir que ele fosse golpeado por trás. Mais que isso, Ryan em geral ou fugia do confronto ou não usava nenhuma estratégia.

O mascarado tinha um machado e após um único golpe o Greg desistiu de tentar atirar nele. Nenhum dos três sobreviventes sequer tentou usar uma faca ou ao menos um porrete para bater no mascarado, o que, em três pessoas, era mais do que possível: era provável.

Então, de maneira absurdamente egoísta e burra, a Natalie pegou o carro, quis fugir sozinha, perdeu o controle e bateu. Para sua sorte, apenas tirou uma soneca e voltou no final do filme para salvar o dia. É quase um Deus ex-machina, mas achei uma boa saída para solucionar o conflito.

O descarte do Ryan me pareceu uma escolha forçada apenas para ter uma final girl, por ser algo muito conveniente e jogar fora aquele que era pintado como protagonista.

O momento em que o vilão se revela e conta sua história de vida foi muito arrastado e chato, principalmente por ser previsível e óbvio. Houve uma conexão dele com outro crime que fora referenciado durante o filme, mas isso não tem nenhum significado. Explicar o objetivo dele que é bom Pânico na Cabana não explicou, além de deixar passar o motivo para a mãe do Tyler ajudá-lo.

Depois da interessante virada com o retorno da Natalie, Ben Milliken, diretor do filme, deve ter pensado: “Agora eu se consagro. Shyamalan é o caramba xará!”. Eis que a última cena de Pânico na Cabana é um terceiro mascarado, que observa de longe, revelando ser aquele colega do policial.

Esse plot twist não tem peso nenhum, pois o colega policial não foi minimamente aprofundado. Além disso, ele não faz o mínimo sentido quando colocado junto do “twist” anterior. Onde esse homem se encaixa dentro da trama loucamente obsessiva de Tyler?

Últimos segundos de filme e, ao invés de fechar a trama, ele abre mais ainda. Pânico na Cabana parece amador porque faz errado coisas que são o ABC da narrativa (não só cinematográfica).

Pânico na Cabana é um lixo mal escrito, mal dirigido e mal editado que não deve ser visto por ninguém.

Ele entra para o meu top 3 do ódio, junto com A Invasora e Centopeia Humana 3.

Observação: Shyamalan é um diretor famoso por sua mania de plot twist. Uma de suas obras é o excelente O Sexto Sentido.

Observação²: o que foi aquele momento no banheiro em que a Sarah se assusta com o próprio reflexo e fica com medo de abrir a cortina? Ridículo.

2 comentários

  1. Infelizmente não li sua resenha antes de assistir o filme. Hhahahahhaa. É muito ruim mesmo, extremamente mal roteirizado e eu não entendi absolutamente NADA da ultima cena.

    Curtido por 1 pessoa

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