Crítica | 3 A.M. (2012): uma antologia fraca

Ficha técnica no IMDb

3 A.M. é um filme fraco com um conto medíocre, outro razoável e o último ruim. Ele mantém a sina de antologias cinematográficas serem obras de baixa qualidade.

Duas irmãs donas de uma loja de perucas são assombradas pelo fantasma de uma mulher cujo cabelo foi utilizado para fazer uma das perucas. Um funcionário de uma funerária se apaixona pelo cadáver de uma jovem mulher que morreu ao lado do noivo em um acidente pouco antes de seu casamento. Dois diretores de uma empresa que gostam de pregar peças assustadoras em seus trabalhadores finalmente vão receber o castigo que merecem quando eles se depararem com um fantasma real. As três histórias ocorrem às 3 da manhã, a hora mais assustadora da noite, pois é o momento no qual os espíritos estão livres para vagar.

Como 3 A.M. é uma coletânea de histórias curtas cuja única conexão é a hora (3 da manhã, a hora morta), a única forma de avaliar esta obra é conto por conto.

Primeiro conto

O primeiro conto tem como fator místico uma peruca assombrada, o que rende uma boa cena envolvendo cabelo na pia do banheiro. Ali, o terror pela sugestão foi bem empregado. O problema é que o conto derrapa quando investe no terror visual.

Existem vários jumpscares idiotas, incluindo aquele em que um personagem assusta o outro, e a ação que aflige os personagens secundários é deficitária, especialmente quando parte para o terror explícito (a aparição clara do fantasma e sua mãozinha).

Apesar de ter essa baixa qualidade na maior parte do terror, o desfecho do conto é muito bom e surpreendente. Não dá para dizer que o conto é bom, mas ele não é algo que o espectador queira “desver”.

Outro destaque positivo fica para a relação das protagonistas. Uma irmã teve amor e a outra teve bens materiais. A inveja mútua que sentem é justificável por ambos os pontos de vista.

Segundo conto

Uma linda história de amor entre um homem e um cadáver. Digo isso porque a cena amorosa transcorre de modo bonito e poético, quase como uma romantização da necrofilia. O protagonista se apaixonou pelo cadáver muito em função da pena que sentia da vida que supunha que aquela mulher tivesse.

Situações de maus tratos são cativantes e úteis para criar dramas convincentes, o que é um acerto de 3 A.M. Combine isso com a suposta atuação vilanesca do marido opressor e temos um terror bem funcional em todos os aspectos. Tirando, é claro, os patéticos e detestáveis jumpscares.

O principal erro deste conto foi a reviravolta. A mulher se machucar e machucar os outros é algo sem explicação, súbito e estranho, considerando a atmosfera que tão bem era trabalhada. Nem sempre uma virada ao final torna a história boa ou gostosa de assistir.

Terceiro conto

O terceiro conto é uma ofensa ao conteúdo dos dois primeiros. Enquanto lá havia uma pertinente atmosfera de terror com um toque de aprofundamento dos protagonistas, aqui tudo o que há é uma sucessiva sucessão de plot twists que se sucedem ad infinitum.

É uma mistura absurda de jumpscares com pegadinhas que muitas vezes fingem ser o “verdadeiro terror” (mais ou menos como Medo S.A, só que muito, mas muito pior). É tanta reviravolta estragando ideias interessantes (como a morte por susto) que eu fui ficando cada vez mais irritado.

Só no final surge o aspecto sobrenatural, que ainda vem de forma forçada (aquilo não foi acidental, foi suicídio). Um péssimo encerramento.

Considerações finais

3 A.M. é o típico filme de terror ruim e lotado de jumpscare que infesta o mundo do cinema. Ele tem pontos positivos, mas, enquanto filme, é muito deficiente.

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