Crítica | Pânico na Neve (2010): ruins 15 minutos finais

Mas o resto é bom

Ficha técnica no IMDb

Um dia típico nas montanhas se torna um pesadelo gelado para três esquiadores que ficam presos em um teleférico antes de sua última descida. A equipe da estação de esqui desliga as luzes da pista e o trio percebe, em pânico, que foram esquecidos. Com hipotermia e queimaduras de frio, os amigos são forçados a tomar medidas extremas para sair da montanha, antes que morram congelados.

Tirando os 15 minutos finais, Pânico na Neve é um bom filme. Seu terror é eficiente e os personagens são muito bem trabalhados, tanto na meia hora introdutória quanto na parte do terror em si. Com isso, ele certamente é o melhor dos “Pânico” que já assisti. Se não fosse por seu final, eu diria que Pânico na Neve é muito bom.

Geralmente, filmes desse tipo costumam reunir grupos de quatro ou mais pessoas, sendo que muitas vezes poucas delas possuem laços fortes com alguém do grupo. Pânico na Neve possui apenas três personagens e seu relacionamento é intrincado.

Dan é o melhor amigo de Joe (Shawn Ashmore, ironicamente o Homem de Gelo em X-Men) e o namorado da Parker. Devido ao relacionamento, os amigos não têm mais tempo para ficarem juntos. O programa deles, que seria esquiar, teve a Parker como intrusa. Aí já temos um conflito interno.

E é um conflito bem interessante. Ao invés de seguir no óbvio e fazer Joe e Parker pirraçarem um ao outro mutuamente, Pânico na Neve os coloca como pessoas boas. Parker se ofereceu para ficar de fora do “esqui de verdade” e Joe tentou não demonstrar seu descontentamento com a presença dela.

Quando a tragédia ocorre, eles se acusam e se atacam, mas logo pedem desculpas, pois essa é a natureza deles. É muito mais agradável ver pessoas assim do que malucos que invariavelmente decidem matar seus amigos (alô Pânico nas Alturas).

E a beleza dos personagens está não apenas no desenvolvimento ou na premissa, mas também na condução. Numa olhada rápida, é possível considerar Pânico na Neve um filme muito lento, com trechos longos de diálogos que não exatamente avançam coisa alguma.

São esses diálogos mais extensos que tornam os personagens realistas, tridimensionais e palpáveis. Não são meros bonequinhos servindo ao propósito do roteiro, mas pessoas que agem e reagem conforme as circunstâncias, inclusive tentando fugir delas fingindo que não existem.

Que bom seria se mais filmes entendessem que às vezes vale muito mais fazer os personagens contarem as coisas do que inserir flashbacks.

É curioso que eu me surpreendi com o drama de Pânico na Neve sendo que o filme faz apenas o básico. Os personagens não evoluem e chegam a algum lugar novo, só que o cinema de horror é tão ruim que nós aplaudimos filmes que fazem o mínimo.

Agora sobre o terror, há dois problemas principais. Os lobos que surgem não apareceram ou foram mencionados antes, o que me leva à questão: por que eles só apareceram naquela hora? Em geral os lobos tem medo de pessoas que não estejam provavelmente assustadas ou sangrando?

O outro problema é que as condições climáticas foram meio que relegadas. Não entendo do assunto, mas acho que pelo menos a Parker devia ter morrido depois de duas noites sem água e lidando com tempestades de neve.

Outros pontos, como o cabo que corta a luva ou a mão grudada, são assustadores e causam bastante aflição. A situação em si é muito eficiente para despertar medo no espectador. E esse medo é crescente conforme as possibilidades de sobrevivência se esgotam.

Se pular do teleférico, você quebra seus ossos. Se tentar passar para outro banco ou para o poste, pode machucar as mãos, cair e ainda tem que enfrentar os lobos. Como a talvez última sobrevivente faria para escapar da morte?

Aqui entra o pecado capital de Pânico na Neve: Deus ex machina. Este é o nome de um recurso narrativo que consiste em soluções mágicas que surgem quando conveniente e resolvem o problema.

O que salva a Parker é: o teleférico despenca lentamente e não a machuca gravemente, ela desliza pela neve e passa ao lado dos lobos que não a atacam, por estarem satisfeitos em comer o Joe. Ela vai parar numa estrada, fica deitada no asfalto e é resgatada por um transeunte.

Dan tentou fazer algo e morreu. Joe tentou fazer algo e morreu, mesmo tendo claras condições de se defender dos lobos. Parker não fez nada e sobreviveu. É extremamente frustrante ver um desenrolar que empolga terminar desse jeito.

Se o roteirista não sabia como salvar a Parker, por que não matá-la? É obrigatório ter uma final girl no filme?

Apesar do final preguiçoso, Pânico na Neve é um bom filme de suspense/terror. Vale a pena conferir.

Observação: bons diálogos de quem sabe que vai morrer.

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