Crítica | Busca Alucinante (2010): suspense eficiente

Apertem os cintos, meu namorado sumiu

Ficha técnica no IMDb

Mary vai ao hospital com Kevin, seu namorado, para que ele passe por uma cirurgia. De uma hora para a outra, no entanto, Kevin some. Agora Mary precisa correr para encontrá-lo e provar que não está louca.

Busca Alucinante é um filme de suspense que tem 1h20min de duração. A partir da premissa, durante 50 minutos, o espectador é convidado a se perguntar se a Mary é louca ou não. Embora ela jure de pés juntos que foi até o hospital com o Kevin, não há nenhuma evidência física de que ela diz a verdade.

Mais que isso: não há nada que indique que Kevin tenha estado no hospital, pois ninguém sabe, ninguém viu. É natural suspeitar que exista alguma tramoia orquestrada pela turma do hospital, mas em momento algum eles parecem negligentes e tudo no filme indica que são sinceros. Mary é louca? Houve algum acidente espaço/temporal? Afinal, o que aconteceu com Kevin?

Esse não-saber é reforçado por uma esperta câmera “encosto” que acompanha a protagonista e evoca uma sensação de sufocamento, de pânico. Tais elementos tornam Busca Alucinante uma ótima experiência cinematográfica. Daquelas de se ajeitar na cadeira para aproveitar mais o filme.

Quando uma obra me deixa empolgado desse jeito, eu passo pano para pontos negativos como: uma câmera que fica tremendo sem que haja um motivo claro, a constrangedora melação da Mary com o Kevin (fala sério, ela beija o telefone), uma atitude burra de um vilão e a pouca utilidade de um personagem para a trama. Os dois últimos erros citados ocorrem quando o filme já começou a explicar seu enredo, e é aí que ele fica ruim (ou pelo menos não tão bom).

Contrariar a tendência da trama e não revelar que a Mary é louca surpreende, mas frustra. Eu esperava uma virada de explodir a cabeça, com todas as peças se encaixando, mas Busca Alucinante entrega uma vilania que não dá para engolir de forma alguma. O que vemos no produto final não é a linda magia do cinema agindo, mas uma ideia que não foi bem desenvolvida antes de ser executada.

O fato de o Kevin estar na conspiração foi um gigantesco acerto, mas o lado do vilão é muito forçado. Entendo a intenção de arrancar dinheiro da Mary, mas não é possível conceber que quatro pessoas se empenhariam numa engenhoca tão complexa e obviamente falível, uma vez que seria praticada dentro de um hospital grande.

Apenas ter um segurança não justifica o bom desenrolar do plano. Afinal, como foi que eles apagaram qualquer registro da estadia do Kevin? Se a Amanda não era enfermeira e o Kevin não era paciente, toda a cena no quarto é fruto da incompetência do hospital? É difícil aceitar algo assim.

Quando uma revelação, ao invés de esclarecer, levanta mais dúvidas, ela piora muito a obra. O pior é que esse problema do plano mirabolante poderia ser facilmente resolvido se o argumento do filme fosse analisado à luz da linha da suspensão de descrença. Busca Alucinante forçou a barra e jogou fora 50 minutos de qualidade.

Eu apontei como erro uma atitude burra de um vilão. No final, há uma perseguição e um bandido fica de frente para a Mary. Ambos de arma em punho, ao invés de ele só atirar (para neutralizá-la), quis ajeitar a mão, como se a mira naquele momento fosse o mais importante. Quando ele fez isso, a protagonista atirou e o liquidou.

O personagem de pouca utilidade é o detetive. Ele seria crucial se o plot twist envolvesse loucura, pois ele seria alguém de confiança da Mary e não deixaria dúvida quanto à sua condição mental. Até por isso me empolguei, por ir passando para o lado do hospital, conforme o filme avançava.

Como a virada envolve uma trama criminosa e a Mary tinha totais condições de alvejar o Kevin, como fez com o outro vilão, a presença do detetive no filme, ou pelo menos nesse terceiro ato, não se justifica.

Busca Alucinante é um filme de suspense que consegue ser bom por 50 minutos, mas aí suas explicações o estragam.

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