Crítica | Mosquitos Assassinos (2018): um trash a se respeitar

Ficha técnica no IMDb

Num fim de semana, um grupo de amigos isolados numa casa de campo é atacado por um enxame de mosquitos assassinos que se alimentam de carne humana como piranhas. Sem poder fugir, eles têm apenas uma chance de sobreviver: declarar guerra aos insetos.

Mosquitos Assassinos é um filme fraco e deficiente, mas se torna uma experiência relevante a partir do momento em que não descamba para o descompromisso. Ele é superior a, por exemplo, A Bonequinha da Mamãe. Ele é um trash, mas um trash respeitável.

Seu início clichê dos jovens indo para algum lugar, provavelmente perdidos e sem sinal, pode indicar um rumo que não existirá. Eles chegam ao destino desejado e lá ficam felizes, até que descobrem que um serial killer fugiu de um presídio nas redondezas e a eletricidade acaba.

Novamente, somos tentados a pensar que o serial killer está na casa e foi o responsável pela queda da energia, mas a verdade é que a fiação da casa é antiga e deu problema por acaso. É pertinente, verossímil e dá ao espectador um gostinho de “esse filme foi feito com esmero”.

Paralelamente, o surgimento do presidiário na estrada, acompanhado de uma caroneira, constituía uma ameaça secundária. Isso criou uma tensão muito agradável e adicionou alguma imprevisibilidade ao filme.

De forma válida, Mosquitos Assassinos chocou ambos os núcleos e fez uma ameaça eliminar a outra, criando ainda um possível sobrevivente. É um ponto de virada impactante e a possibilidade de a caroneira estar viva é um bom motivo para que os jovens queiram se arriscar do lado de fora da casa.

Os mosquitos são uma ameaça assustadora porque podem entrar com facilidade. Mesmo sendo maiores que o comum, impediam os jovens de confiarem em encanamentos, rodapés de portas e janelas. Há aqui um bônus de medo constante.

A fraqueza dos mosquitos comedores de gente é uma conexão com um terceiro núcleo de personagens e com um frequente tema de piadas: a fumaça da maconha. As piadas não tem a mínima graça, mas a correlação entre o fumo, os personagens e o elemento do estoque finito são um grande acerto.

Além do risco iminente de a “proteção” acabar, o fato de estarem chapados mais ou menos justifica o acidente que dois personagens sofrem. Fora que justifica eventuais decisões duvidosas.

Por falar em decisões duvidosas, os jovens escolheram resgatar a caroneira mesmo sabendo que era estranho ela estar intocada. É humano que tenham pensado assim e é lógico que havia algo errado com ela. Tal informação foi revelada numa cena um bocado assustadora.

Confesso que o mosquito gigante ficou tosco mesmo na ideia, mas a saída de explodir tudo foi bem legal. Cheguei até a me empolgar. E o desfecho do filme caminhava para uma quase genialidade roteirística surpreendente: tudo aquilo foi uma alucinação dos jovens, pois eles estavam sob efeito de entorpecentes.

Existe o problema prático de todos alucinarem com a mesma coisa e as implicações disso dentro dos acontecimentos dos outros núcleos, mas eu teria gostado muito desse final. No fim, os mosquitos ressurgem e fica claro que eles são reais. Ruim? Não, mas podia ser melhor.

Os personagens são bem pouco relevantes, o humor é bem sem graça e os efeitos visuais dos mosquitos, em alguns momentos, são deprimentes. Apesar disso, Mosquitos Assassinos é um filme que respeita o espectador e funciona enquanto obra completa. Acredite, tem muito filme de qualidade técnica superior que soca o estômago do espectador no terço final.

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