Crítica | O Monstro Dentro de Você (2016): terceiro ato doido

Ficha técnica no IMDb

Numa comunidade desolada, repleta de marginais e viciados em drogas, a jovem Lou leva uma vida desregrada de abuso de tóxicos e festas. Após uma noite alucinante da qual pouco lembra, Lou acorda com sintomas de uma estranha doença, que logo se revela algo semelhante a uma gestação. Sem saber o que ocorreu, a garota começa a investigar as causas da moléstia ao mesmo tempo em que sofre seus terríveis efeitos.

O Monstro Dentro de Você é um filme que caminha de forma quase despropositada e um tanto indecisa, até que resolve afunilar a trama e vira uma viagem louca. Isso não é ruim nem é bom. Na verdade, nem sei dizer o que achei desse filme.

Pegando os 45, 50 minutos iniciais, é possível fazer um recorte de um grande “nada acontece”. Lou, a protagonista, tem sintomas de gravidez, mas não se lembra de ter mantido relações sexuais. Sua lembrança é pouco relevante, afinal, ela vivia se drogando e não se lembrava do que exatamente tinha acontecido na festa.

Apesar de uma cena que eu acho que mostrava que havia escorrido sangue dos mamilos da Lou, não há nada de muito estranho ou instigante, além da própria origem da gravidez. O que vemos durante essa metade de O Monstro Dentro de Você é o cotidiano de uma grávida drogada. Só isso mesmo.

Lou tem uma amiga que é namoradinha de um traficante e parte do filme se dedica a mostrar a vida dele. É estranho porque parece desconexo do núcleo da Lou, até porque é difícil associar uma droga experimental à gravidez dela. Se a revelação, ou sugestão, de que a droga experimental fora usada pela Lou não fechava pontas, O Monstro Dentro de Você quis abrir mais abas ainda.

Os efeitos físicos da gravidez começaram a sugerir algo próximo de uma possessão demoníaca e a presença da mulher paranormal deu força a uma teoria quanto a algo místico, sendo que ainda surgiu um papo de alienígena. São muitas possibilidades, o que dispersa o foco e enfraquece a sensação de que O Monstro Dentro de Você é um bom filme enquanto unidade.

Por outro lado, essa loucura de explicações torna menos incômodo o parto da cabeça bizarra. O surgimento do Isaque contrabalanceia o nascimento do resto do ET, que, inteligentemente, sugou toda a massa da Lou.

Ver o alienígena no final, como a indicação de que a Terra ganhou um inimigo, foi estranho. Não ruim nem bom, mas estranho. Ainda não sei dizer se gosto dessa loucura, porque não estragou o filme, mas não chega a querer dizer algo. É só uma experiência louca.

Tendo a considerar o filme não ruim porque os diálogos foram agradáveis, no sentido de retratar uma amizade, e porque sua loucura não parece acidental, mas sim algo dentro da proposta do filme.

O Monstro Dentro de Você também tem um pé temático na maternidade, tendo em foco uma mulher que não é feliz com a gravidez. Na primeira, ela abortou. Na segunda, o filho sugou toda a vida dela.

Meu último destaque positivo é a cena em que o Isaque conversa com a Lou sobre produzir mais espécimes, pois aquele momento é surreal.

O Monstro Dentro de Você é uma experiência difícil de explicar. Se você não tem nada contra alienígenas, dê uma chance.

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