Crítica | We Summon the Darkness (2019): heróis burros

Ficha técnica no IMDb

Nos anos 80, numa América aterrorizada por cultos satânicos, três melhores amigas, Alexis, Val e Beverly, embarcam numa viagem para um festival de Heavy Metal. Ingênuas, elas fazem amizade com um trio de rapazes, reunindo-se posteriormente na casa de campo de Alexis. O que deveria ser uma noite de diversão começa a tomar rumos obscuros. Com assassinos à solta, quem poderá ser confiado?

A primeira meia hora de We Summon the Darkness é muito inteligente. Não muito boa, mas inteligente. O filme apresenta um grupo de moças protagonistas viajantes e as coloca para interagir com um grupo de rapazes. Nós vemos ambos os grupos se conhecerem e interagirem organicamente em cenas que parecem demorar demais. Tal interação demorada torna não estranha a situação de todos irem para a mesma casa, pois temos a sensação de que eles já se conhecem, mesmo que minimamente.

Com pequenas pinceladas ao fundo, nos é informado que existem assassinatos sendo perpetrados por uma seita satânica. O pouco foco que é dado nessa informação permite que o plot twist seja coerente e, ao mesmo tempo, surpreendente. Claro que já era de se esperar que houvesse algo a ser revelado, mas We Summon the Darkness merece esse crédito.

Em geral, os personagens principais são os mocinhos e acabam sofrendo nas mãos dos vilões. Neste filme, a expectativa é invertida, pois os personagens principais são os integrantes da seita e os que surgem depois são as vítimas. Com a explicação da motivação dos vilões, tudo funciona bem.

A Alexis é filha do pastor famoso que denunciou os ataques da seita satânica. Esse pastor empreende uma estratégia de realizar assassinatos supostamente satânicos para atrair as pessoas para a igreja e existe uma ideia de que essa atitude seria o caminho para a salvação. Faz sentido, gosto e compro esse enredo.

É depois dessa meia hora introdutória que surgem os problemas. Os personagens de We Summon the Darkness são meio burros e os mocinhos são os piores.

A começar, o plano das vilãs era matar e fingir que a ação fora realizada por um culto satânico. Primeira pergunta: por que não mataram logo os rapazes? Segunda pergunta: como a Alexis não percebeu que havia algo estranho em cometer aquele crime justamente na casa da madrasta dela?

Os dois mocinhos que sobreviveram mais tempo foram insanamente burros. Uma vez livres das amarras, por que não partiram para cima das vilãs com tudo? Sendo homens, mesmo que uma delas usasse uma faca, não seria difícil deixá-las desacordadas.

Depois fizeram ainda pior, pois se enfiaram num quartinho e lá ficaram, como se magicamente fossem ser salvos. Quanto mais tempo passavam ali, mais chances davam para que as vilãs bolassem uma forma eficiente de liquidá-los. Me irritou o tempo que passaram sem um plano de ação.

Com o confinamento dos mocinhos, uma das vilãs virou a casaca e ficou sob os holofotes, após descobrir que o pastor usava os donativos para construir mansões por aí. Ideia legal, mas aquela “motosserra” que ela usa é demasiadamente espalhafatosa e ineficiente.

A jumenta ainda pisou em uma arma de fogo e simplesmente a deixou para trás, assim como o quase “final boy”. O combo de burrice de ambos envolveu, além da arma, a estúpida decisão de se separarem, sabendo que ficando juntos poderiam ter vantagem. O final boy morreu, em parte, por não ter alguém cuidando das costas dele.

E por falar em cuidar das costas, por acaso policiais de filmes são incapazes de ter em mente que é necessário alguém cobrir suas costas para entrar em terreno inimigo? O policial viu a Alexis correr de forma suspeita e, ainda assim, sequer deu algum crédito para o final boy. Absurdo.

Vão ocorrendo uma sucessão de burrices e atitudes estranhas que parecem ter como objetivo simplesmente fazer os vilões vencerem. Que o diga a impossível última cena em que a Alexis aparece (para estar naquele lugar, ela precisaria ser imortal e se teleportar).

Gostei da sugestão de que o plano do pastor, desde o início, era matar a Alexis. Encaixa na escolha daquela casa e o amarra como um vilão interessante.

Outro destaque positivo é a existência das “piadas” com o fato de uma das personagens ter que urinar com frequência. A torna mais humana. Um bom momento de comédia com ela foi quando tentou arrombar uma porta. Achei bem engraçado.

As ideias e o enredo de We Summon the Darkness são bons, mas a execução é muito deficiente e pouco pensada, principalmente depois da primeira meia hora de filme. O conjunto da obra é interessante, mas não consegue ser bom.

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