Crítica | O Massacre da Serra Elétrica — O Retorno (1994): gostei dos vilões

Só isso mesmo

Ficha técnica no IMDb

Grupo de jovens que se diverte na noite de formatura sofre acidente e acaba pedindo ajuda na casa de família de canibais que matam suas vítimas utilizando uma motosserra.

O Massacre da Serra Elétrica — O Retorno tem um enredo que parece ter sido feito de qualquer jeito. O início do filme chega a ser surreal. Tem um casal num baile (naquela pegada de baile de formatura), eles brigam, pegam um carro que por acaso tem dentro outro casal, se perdem e vão parar no meio do nada, onde são perseguidos por uma família psicótica.

A preparação em filmes de terror não raramente é meia boca, mas esta é absurdamente simplória. Uma saída sem motivo que leva os personagens a se perderem sem motivo é muito pior que o clichê dos jovens viajantes que acabam perdidos. Antes um clichê que uma bizarrice.

Obviamente, os jovens agem de forma estranha ficando sozinhos, andando no meio do nada e indo para lugares que não parecem seguros. A namoradinha do babaca chega ao absurdo de chutar a porta da casa de pessoas que possivelmente os ajudariam. Vale ressaltar que ela foi esquecida no rolê depois de ser pendurada num gancho. Até aquele ponto, parecia que ela seria a protagonista, mas, depois, ela mal é mostrada.

Ela, o próprio babaca e os demais jovens são todos descartáveis. Não há nada neles que seja relevante, que torne o filme mais interessante ou sequer agradável de assistir.

A protagonista de fato é um grande problema. Basicamente, em momento algum ela corre risco. Durante boa parte do filme, ela não sofre fisicamente e tem condições de se levantar e se mover com grande liberdade.

Enquanto presa no porta-malas, no momento em que a vilã o abre para lhe dar um sermão, ao invés de gritar mais e tentar atacar sua algoz, a protagonista conversa normalmente. Na quase cena do jantar (que felizmente não se concretizou), ela fala como se tivesse alguma autoridade. Ela literalmente manda o Leatherface ficar sentado e ele obedece. É inacreditável. Talvez ela tenha se achado poderosa por não ter ficado em risco em momento algum. Ela até teve uma chance excelente de acabar com os vilões, mas, por nenhum motivo, não atirou e ainda deixou o vilão principal pegar a arma da mão dela.

Inclusive, não entendi o final dela, seu jeito puxado para o catatônico e o olhar para aquela desconhecida na maca (pelo que li, a protagonista do primeiro filme).

Por falar em Leatherface, é certamente o pior entre os filmes que resenhei (os anteriores e a refilmagem de 2003). Sem nenhuma explicação, ele se veste de mulher, usa batom, é excessivamente obediente e fica gritando. Muito ruim. Ele é tão figurante que não há uma morte sequer pela motosserra.

E se o lado dos mocinhos de O Massacre da Serra Elétrica — O Retorno é ruim, apesar do péssimo Leatherface, o lado dos bandidos é interessante. Pelo que me lembro, são os canibais mais interessantes da franquia.

Eles não chegam a ser explicitamente canibais, salvo uma cena de mordida que pode ser entendida apenas como violência, e possuem traços de personalidade cativantes.

Um deles sempre traz uma citação, demonstrando ser culto. A vilã é carente, afetuosa e tem um toque de sofisticação curiosamente distante da realidade em que vive. Já a cereja do bolo é o homem violento. Seu comportamento não é inusitado, mas a atuação é boa, a presença do personagem é marcante.

Gostei muito de como foi sugerido que ele era imortal e que a família trabalhava para os illuminati. Ter algumas dúvidas dá um charme para os vilões e os torna não tão ruins.

No fim do filme surge outro vilão, este com pinta de chefão. Gostei muito dele, mas ficou vazio demais não explicarem suas intenções.

E o final de O Massacre da Serra Elétrica — O Retorno é bem exagerado. Rola uma perseguição desnecessária, surge um carro do nada e um avião misteriosamente liquida o vilão e fica por isso mesmo. Nessa avalanche de coisas estranhas, reforçada por um sol que surge com força do nada, o longa termina.

Quero destacar, por último, uma cena em que a vilã está em seu escritório, jogam alguma coisa pela janela, ela repreende quem jogou e mostra os seios. Por quê? Para cumprir a cota de nudez? Imagino que seja este o único motivo.

O Massacre da Serra Elétrica — O Retorno é um filme muito ruim, combinando bem com o restante da franquia. Tem personagens ruins, roteiro ruim, cenas arrastadas, o Leatherface é ridículo e ainda dança no final.

Observação: por que os personagem insistem em fugir de um carro em linha reta? Parece desenho animado. Ridículo.

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