Crítica | O Massacre da Serra Elétrica — O Início (2006): slasher de qualidade

Ficha técnica no IMDb

Thomas Lewitt (Andrew Bryniarski) nasceu em um parto complicado, no chão de um abatedouro no Texas. Ele é salvo por Luda Mae Hewitt (Marietta Marich) e passa a ser criado também pelo xerife Hoyt (R. Lee Ermey), Montgomery (Terrence Evans) e Henrietta. Thomas tem uma vida violenta, repleta de abusos físicos e emocionais, o que o faz se tornar o assassino Leatherface ao crescer. Quando dois jovens a passeio com suas namoradas se perdem, ele se tornam suas primeiras vítimas.

Eu imaginava que O Massacre da Serra Elétrica — O Início seria o melhor filme da franquia de até então, o que não é nada difícil, por ter a mesma impressão de Halloween: O Início. As duas franquias são inteiramente ruins, mas a intenção de detalhar o nascimento do vilão acaba levando a um cuidado narrativo maior, enriquecendo “O Início”.

Essa origem em si eu achei mal elaborada e bem pouco detalhada, ao ponto de não fazer diferença se o filme se chama “O Início” ou não. O parto em situação lamentável e a deformação facial não justificam atos criminosos nem incorrem nos mesmos.

Apesar de ter nos mostrado tais elementos irrelevantes, O Massacre da Serra Elétrica — O Início não se preocupou em explicar como Leatherface adquiriu o gosto pelo matadouro, sua característica mais importante. Assim sendo, curiosamente, o filme não funciona como origem para o icônico vilão.

Por outro lado, este Leatherface não dança, não é um bobalhão e não se veste de mulher, o que já o torna, disparado, o melhor da franquia. Ele funciona bem, é assustador e possui boas cenas de sangue. Destaco positivamente o momento em que ele usa a serra (que não é elétrica) para partir o motoqueiro ao meio.

O destaque negativo do Leatherface é duplo: ele acerta uma vítima que estava dirigindo um carro em movimento e a arranca de lá; ele surge magicamente no carro, no final. Entendo a intenção de chocar, mas o choque não pode ser ilógico.

O resto da família, o velho e a velha, são boas sacadas. Embora não sejam simplesmente bonzinhos, eles parecem aceitar a situação também por medo do xerife. O mesmo xerife que, de forma assustadoramente desumana, ordenou uma determinada ação contra o velho.

E o xerife é muito bom. Foi ele o primeiro a matar para comer e se mostrou um grande sádico. A personalidade cruel e a ligação com o aspecto militar tornaram o xerife um bom vilão. Ele não é só um maluco assassino, como o Leatherface, ele é algo além.

Parte desse algo além reside no fato de que há uma conexão entre ele e os rapazes. E chegamos às vítimas.

Geralmente, os grupos de jovens que se tornam vítimas são irrelevantes. Há um ou outro detalhe mais interessante, mas não passam de ferramentas para que o filme ande e as cenas de sangue aconteçam. Em O Massacre da Serra Elétrica — O Início as coisas são diferentes.

Os jovens são dois casais. Um dos rapazes, Eric, está viajando para ir para a Guerra do Vietnã e acha que o outro, Dean, fará o mesmo. Só que Dean não quer ir e não sabe como contar isso para Eric. Depois de muita enrolação, Dean decide contar sua decisão e discutir com Eric no carro em movimento, o que é ridículo, mas o conflito existe, o que é bom.

Esse elemento do Vietnã é inserido nas interações dos rapazes com o xerife, norteando suas ações e os ferimentos que sofrem. É um modo de conhecer mais sobre como o xerife pensa, seu lado valente, patriota e consciente do que está se tornando.

Não é algo de outro mundo ou, talvez, sequer bom, mas consegue fazer eu me importar com os personagens, torcer por eles. Apesar de o Eric não tentar tomar a arma do xerife quando esta lhe tocava a testa e de o Dean ficar de costas para o Leatherface, eles são mais ativos e espertos que a maioria dos jovens vítimas em filmes de terror.

Voltando ao carro, ressalto a burrice do Eric de virar para trás enquanto dirige em alta velocidade em vez de dar a arma para o Dean lidar com a assaltante. Inclusive, a assaltante e o motoqueiro foram bons personagens por fugirem daquela perspectiva de que todo mundo é comparsa da família canibal.

O Massacre da Serra Elétrica — O Início foi tão eficiente em melhorar tudo que até a cena do jantar ficou quase boa. Ela é assustadora, mas ainda não faz sentido colocar as vítimas para sentar à mesa.

Nessa cena do jantar, uma vítima faz uma piada que em português soa como um trocadilho canibal/sexual. Além de eu questionar de onde ela tirou a piada (é por eles serem caipiras?), aquele era um péssimo momento para utilizá-la. É o filme jogando contra o próprio patrimônio.

O Massacre da Serra Elétrica — O Início justifica a existência da família canibal explicando que havia um abatedouro, o qual foi fechado. Com o seu fim, a cidade toda se esvaziou e sobrou apenas uma família. Já que eles não tinham muito o que comer, resolveram canibalizar.

Essa ideia funciona melhor em Pânico na Floresta e me incomoda por tratar a alimentação como se fosse simplesmente comer carne e se isolar do mundo. Necessariamente eles precisariam de temperos e outros produtos para viver, o que os levaria de volta à sociedade. Legal a intenção, mas o conteúdo não tanto.

Resumidamente, O Massacre da Serra Elétrica — O Início é um filme meia boca que respeita o espectador, pois tenta genuinamente ser bom. Por este motivo, eu o avalio positivamente e terminei de assistir feliz como nunca estive (vendo a franquia O Massacre da Serra Elétrica).

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