Crítica | O Massacre da Serra Elétrica — A Lenda Continua (2013): diferente, mas ainda ruim

Ficha técnica no IMDb

1974, uma pequena cidade no interior do Texas. Uma garota escapou de um massacre que matou cinco pessoas e é criada sem saber a verdade sobre seu passado. Já adulta, Heather Mills é surpreendida ao ser informada que é a beneficiária da herança de uma avó que nem sabia existir. Ao lado dos amigos Nikki, Ryan e Kenny, Heather viaja ao Texas para conhecer a mansão que herdou.

O Massacre da Serra Elétrica — A Lenda Continua começa como uma continuação direta do filme de 1974. Ele faz uma espécie de resumo do original antes de revelar o fim da história: toda a família canibal foi morta por um grupo de pessoas. Só houve um sobrevivente, um bebê que foi criado por uma das pessoas.

Quando veio o salto temporal que revelou a protagonista, eu fiquei me perguntando como os canibais seriam conectados a ela e como isso resultaria num filme no estilo da franquia O Massacre da Serra Elétrica. Quem usa laços familiares para embasar seu enredo é Halloween, outra franquia slasher de má qualidade.

E o salto temporal vai de 1974 para 2012, o que gera um problema enorme com a idade da protagonista e a idade do Leatherface.

A conexão veio com a protagonista descobrindo que sua avó morreu e tendo que viajar para o Texas para averiguar tal questão. Na companhia dela vão o namorado, uma amiga e o namorado da amiga. No caminho, eles encontram um caroneiro e todos rumam para a mansão da família canibal.

Parece ser a exata mesma fórmula utilizada pela franquia todo santo filme, mas, em O Massacre da Serra Elétrica — A Lenda Continua, esse aspecto clássico é o de menos. Tanto é o de menos que ele é feito de qualquer jeito, pois o foco do filme é a relação da protagonista com a família canibal. E aqui reside seu grande problema.

Antes, me incomodou muito a burrice dos personagens, os quais deixaram o caroneiro sozinho na mansão sem nenhuma necessidade, o que resultou num óbvio roubo. Gosto de haver uma reviravolta com o caroneiro, mas esta foi de graça e ele é o típico personagem cujo único propósito é morrer.

Propósito tal que acompanha os demais jovens, desde o namorado infiel que trai a namorada na casa da família dela até a moça que aguardou silenciosamente a abertura do freezer para espernear.

O grande problema de O Massacre da Serra Elétrica — A Lenda Continua é que eu simplesmente não compro a ideia de que alguém apoie os canibais. Não me desce de modo algum. Minha suspensão de descrença foi demolida pelo apoio da protagonista ao Leatherface, mesmo sabendo que o mascarado matou seus amigos.

Ela não foi construída como alguém obcecada por ter laços familiares, o que amenizaria a estranheza de seu apoio ao Leatherface. Toda a dinâmica de o prefeito ser inimigo dela e ela ser parceira do Leatherface é intragável, pois é mal construída.

Parece uma paródia da franquia cujo objetivo é tornar o Leatherface o mocinho. Deve haver alguma fanfic que faça um trabalho parecido.

Outro ponto na mesma perspectiva foi o policial ter deixado o Leatherface matar o prefeito e sequer tê-lo prendido. Qual é, todo mundo nesse filme tem valores morais distorcidos? Assim a obra fica ainda mais fraca.

O Massacre da Serra Elétrica — A Lenda Continua falha em construir uma estrutura temática crível, que consiste nessa aliança da protagonista com o Leatherface. De modo semelhante, o filme falha em construir uma estrutura narrativa coesa, pois finge — sem afinco — ser um exemplar da franquia e larga tal intenção para assumir um desenrolar digno de fanfic.

Destaco como falhas de execução a impensável decisão de mandar um policial sozinho investigar a mansão canibal, a vítima que só esperneia quando a tampa do freezer é aberta e o Leatherface que só se levanta quando pega a motosserra.

Como muitos podem argumentar, sim, eu gosto da ideia de inverter a perspectiva e apresentar mais de perto o lado do vilão. O porém é que isso deveria ser empregado desenvolvendo de fato o Leatherface ou abordando de perto a transição da protagonista de jovem normal para o novo Leatherface (ou algo assim).

O Massacre da Serra Elétrica — A Lenda Continua faz mal tudo o que tenta e, por ser muito diferente do resto da franquia, não merece sequer aparecer num “do pior ao melhor de O Massacre da Serra Elétrica”.

Observação: sério que a protagonista se pendurou numa roda gigante para fugir do Leatherface? Ela correu o risco de se matar sozinha por essa decisão estúpida.

Observação²: esse é o filme que mais detestei da franquia porque ele faz todo mundo ser babaca.

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