Crítica | A Casa do Inferno (2018): só um loop, só um loop, só um loop

Ficha técnica no IMDb

Os namorados da faculdade Brad e Ashley se aventuram no coração da Alemanha. Suas férias românticas tomam um rumo sinistro quando se deparam com um oficial alemão da SS, empurrando-os em um vórtice psicológico, revelando que nem sempre há vida em um Espaço Vivo.

Quando li a sinopse acima pensei “mas como assim?”. Quando terminei de ver o filme pensei “mas como assim?”. Até agora não entendi a segunda metade dessa sinopse nem a serventia de certos elementos do filme. Aliás, acho que sei, e isso é o que mais me irrita.

A Casa do Inferno começa como um filme padrão: um casal está viajando, se perde, o carro para de funcionar e eles vão procurar ajuda em uma casa que veem logo ali. Daí em diante, seguem-se três ciclos de fantasmas, flashbacks/flashforwards, elementos sangrentos e nazistas.

É basicamente isso. A estrutura temática não se explica devidamente. Sabemos que existe um loop espaço/temporal, mas não há justificativa para ele. Não descobrimos nada relevante acerca do oficial da SS e há um grande foco em uma empregada. O foco é tão grande que pareceu ser uma revelação bombástica, mas não consegui captar essa informação útil.

Com o tanto de flashback/flashforward que A Casa do Inferno usa, esperei ansiosamente pelo momento em que as peças se encaixariam e um bom enredo ficaria nítido, mas esse momento não ocorreu.

Deste modo, o que sobra é um irritante vazio temático que faz a experiência de assistir A Casa do Inferno ser inócua. Não há significado de valor em sua composição, o que o deixa mais perto de ser ruim.

O outro campo estrutural de um filme é a narrativa, que é a forma, aquilo que tende a determinar se a obra será boa ou não, em termos de entretenimento.

O excesso de flashbacks/flashforwards é irritante e acrescenta pouco ao filme. Pior que não acrescentar, eles ainda retiram parte da graça, da surpresa, pois tornam mais óbvias as “revelações”.

Outra coisa que torna a revelação mais óbvia é a cena inicial do filme, da mulher correndo até o carro, pois escancara que o primeiro cadáver é a protagonista.

Com um roteiro que não trabalha suficientemente bem os personagens e uma história que pouco se explica, o maior trunfo de A Casa do Inferno é a caracterização do loop espaço/temporal. Diferente de Vivarium, este filme explora pouco o lado “espacial” do loop.

O resto da caracterização enlaça de forma interessante a participação dos personagens no ciclo, mas se sabota ao inserir muitos flashbacks/flashforwards e repetir demoradamente duas vezes o ciclo, ainda sem explicar os fundamentos da trama ou trazer um grande desfecho.

O que parece, ao final do filme, é que o diretor tinha um material preguiçoso, para menos de uma hora de duração, e quis dar um jeito de esticar, tornando A Casa do Inferno muito mais demorado do que sua história exige que seja.

A Casa do Inferno é um filme interessante, mas autossabotado o suficiente para não ser uma experiência válida.

Observação: não entendi nem a relação da introdução sobre o “espaço vital” com o filme.

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