Crítica | Anaconda (1997): dá pro gasto

Ficha técnica no IMDb

Um grupo entra na Floresta Amazônica com o objetivo de fazer um documentário sobre uma tribo indígena e, durante a jornada, conhecem Paul Sarone (Jon Voight), um insano caçador que deseja capturar viva uma anaconda, uma cobra que pode atingir doze metros de comprimento.

Anaconda tem a tradicional cena inicial queima cartucho que mostra o “terror” do filme agindo. Geralmente, essa cena não serve para nada na narrativa e só antecipa o que podia ser uma boa surpresa. Este filme não foge à regra.

Os protagonistas do filme serem uma equipe de produção de um documentário indo atrás de índios gera uma sensação de medo advinda de tal encontro. Naturalmente, enxergamos naquela tribo isolada uma possibilidade de ameaça. Esse suspense seria muito bom se a cena inicial não entregasse que há um monstro na história.

O surgimento do Paul, um homem num barco quebrado, traz uma nova possível ameaça. Claro que seria desumano não tentar ajudá-lo, mas o fato de ser um desconhecido no meio do nada gera apreensão.

Um dos personagens ter um problema devido ao contato com a fauna local foi uma boa ideia, tendo em vista a ambientação de Anaconda. Nesse momento, acreditar no Paul não era muito indicado, mas também não era um absurdo. Quando chegaram ao bloqueio, era inegável que o resgatado tinha seus próprios planos desde o início.

Embora eu deteste o jeito que os personagens praticamente não tentam tirar a arma da mão do Paul, a condução da vilania dele e seu objetivo ganancioso são bons, aliados ao personagem que passou para o lado dele.

O grande problema foi o Paul voltar depois de cair na água com o tranquilizante, o que foi forçado e esticou o que havia alcançado o ponto certo. Ressalto também sua outra aparição, vomitado pela anaconda. Tosco e coerente com o letreiro inicial, mas desnecessário.

Apesar de a aparição do Paul atrapalhar o final, a sequência do plano contra a Anaconda é muito empolgante e me prendeu no filme. Acabei gostando dessa parte o suficiente para terminar Anaconda com uma sensação positiva. A cena final com os índios surgindo é legalzinha, mas dispensável.

A Anaconda em si é um cobrão razoável, pois não é tão grande quanto eu esperava. Imagino que a franquia capriche mais no tamanho nos próximos filmes (não que isso seja um detalhe positivo). A computação gráfica usada na Anaconda e em grande parte de suas ações é bem qualquer coisa e irreal.

Entre os personagens não citados não há nenhum que seja individualmente digno de nota, mas alguns pontos podem ser mencionados.

Há uma cena em que um casal sai do barco e vai para o meio do mato para demonstrar fisicamente o afeto que sentem um pelo outro, desconsiderando o fato de que eles estão na Floresta Amazônica. Essa foi uma burrice fora da curva do filme.

É fora da curva porque, apesar de ser comum no gênero horror, a sensualidade besta só ocorre nesse momento do filme. Ou talvez em outro, o qual pode ser considerado natural, dado o contexto.

Quis pontuar isso para evidenciar o grau de problema que Anaconda tem, afinal, filmes como Piranha acabam sendo piores, e não é todo mundo que assiste sem se importar com tais cenas.

No mais, Anaconda é um filme interessantemente satisfatório. Não é lá grandes coisas, mas funciona como passatempo sem parecer uma porcaria (não espere muito da computação gráfica da Anaconda).

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