Crítica | Castigo Mortal (2010): mariposa vingativa

Ficha técnica no IMDb

Na pequena cidade de Point Pleasure, um grupo de amigos do colégio aproveita o verão relaxando em um pequeno e isolado lago. Eles estão com irmão mais novo de Jared, Jamie, e seguem brincando de afogá-lo na água até que um exagera e o adolescente não volta à superfície. O grupo concorda em acobertar a tragédia, contando a todos que foi uma tentativa de mergulho que não deu certo. Quando Katherine volta à cidade para cobrir um festival, ela traz à tona as terríveis lembranças.

O título original é, traduzido do inglês, “Homem Mariposa”. O vilão do filme é o “Homem Mariposa”. O tempo todo no filme se fala no “Homem Mariposa”. E qual é o nome que deram aqui no Brasil? “Castigo Mortal”. Vai entender a lógica desse pessoal.

Lendo o título e a sinopse, pensei que Castigo Mortal fosse a típica história em que um grupo de pessoas faz maldades com outra e essa outra se vinga violentamente. A vingança existe, mas ela é efetuada pelo Homem Mariposa, não pelo coitado que morreu.

O filme é bem rápido ao introduzir o grupo de personagens, mostrar como são todos engraçadinhos e como eles se incomodam com o garoto. Ser rápido não significa ser mal feito. Quando eles decidem começar a brincadeira do Homem Mariposa, soa totalmente orgânico.

O ato de puxar o pé dele para ele ficar embaixo d’água é crível e mesmo a repetição possui algum sentido. O problema é que o não retorno do garoto foi rápido demais, bem como a constatação de sua morte. Prefiro acreditar que ele ainda estava vivo e os jovens foram simplesmente burros e irresponsáveis.

Ainda nessa sequência, é estranho como eles lidam com aquilo como um crime, não como uma tristeza, logo pensando em formas de se livrar da culpa. Até faz sentido a ideia do machucado na cabeça, mas foi bobo todos terem que acertar uma pedrada na cabeça do garoto. Pior que isso, me pareceu óbvio que aquelas pedradas fariam um estrago maior do que o que eles pretendiam fingir que fora causado acidentalmente.

Consegui continuar me empolgando com o filme, apesar desses problemas (eu estava de bom humor). O retorno da Katharine para a cidade é plausível, mas aí as coisas voltam a desandar.

Embora ela não quisesse voltar para a cidade, não se sentisse confortável com a presença dos velhos amigos e eles também não a quisessem por perto, por motivo nenhum o Derek juntou a turma. Esse tipo de cena artificial me tira do filme.

Desprezo toda a interação dos personagens em nível pessoal e não lembraria o nome deles nem se eu quisesse. O único realmente interessante é o velho, o arquétipo do velho que sabe de tudo.

Pensei que ele seria usado como muleta para resolver o problema, mas Castigo Mortal foi bem inteligente ao mantê-lo em falso e torná-lo um vilão. A revelação é boa, mas era óbvia. Infelizmente, o filme sabotou sua boa ideia colocando a revelação depois que o ritual ensinado pelo velho deu errado.

Não apenas deu errado. O que deveria derrotar o Homem Mariposa aparentemente o deixou mais forte. Depois de ver aquilo, não dá para engolir que os protagonistas confiem no velho. Erro de roteiro juvenil.

Se por um lado a mitologia do caçador de injustiças é bem legal, pelo outro as atuações meia boca, os efeitos especiais fracos e os personagens vazios contrabalanceiam a qualidade de Castigo Mortal.

Depois de um ataque genérico do vilão, com direito a derrota besta e estranha demora para liquidar a fatura, Castigo Mortal entregou uma revelação que me pareceu não significar nada. A intenção claramente era fazer um final de impacto, mas uma incorporação não tinha justificativa e não é como se eu soubesse o que, na prática, ela significa.

Sobre o Homem Mariposa, gosto da aparência de vulto e gostei principalmente dos olhos vermelhos, sempre destacados, mas foi uma computação gráfica fraca.

O que salva Castigo Mortal e, para mim, o torna um filme assistível, é o conjunto da obra somado ao ritmo. Por mais que seu conteúdo não tenha muita qualidade, a forma sabe o momento de acelerar e cadenciar, conduzindo bem a experiência.

Se ignorar o significado do que é mostrado e focar no entretenimento de ver personagens indo para lá e para cá, o filme funciona. Meu consolo é que tem filme pior com efeitos visuais melhores.

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