Crítica | O Juramento (2018): entre, se sobreviver

Ficha técnica no IMDb

Três amigos tentam fazer parte de uma fraternidade que é mortalmente séria sobre seus ritos secretos e acabam entrando numa corrida pela sobrevivência.

O início de O Juramento é um besteirol americano padrão, como American Pie. David, Ethan e Justin são patéticos nerds incels em busca de festas e mulheres. Essa sequência do começo trabalha a dificuldade que eles têm em serem aceitos numa festa, como se fossem desprezados por serem quem são.

O filme não trabalha muito a ideia de rejeição, embora frise o jeito constrangedor que os personagens tentam interagir com outras pessoas. É uma grande piada via vergonha alheia, não um meio para desenvolver os personagens e amadurecê-los de algum modo.

Aqui quero fazer uma distinção que me saltou aos olhos. Ethan e Justin são incels, pessoas que, por não se socializarem muito, têm dificuldade em interagir. Eles podem agir de forma meio boba e não tomarem a atitude que deviam tomar, mas não são pessoas desprezíveis. Apenas precisam de tempo e de companhias melhores.

Por outro lado, o David não é apenas um rapaz azarado e desajeitado. Ele é ativamente irritante e inconveniente. Força piadas sem graça, força conversas com pessoas que não querem falar com ele e, quando falou com aquela moça na festa recém terminada, agiu como um tarado. David é um babaca, Justin e Ethan não.

Levando em conta o jeito com o qual foram enxotados da festa, foi de extrema burrice o trio acreditar que a Rachel não era alguém fazendo uma pegadinha. Desde quando eles são abordados por moças festeiras aleatoriamente na rua? Outro sinal da escolha errada que fizeram foi a localização da fraternidade: no meio do nada.

E ainda houve um novo aviso. O trio agiu do mesmo jeito debiloide que agiu na festa da qual foram enxotados, mas, desta vez, ganharam bebida, mulheres e farra. Como acreditar em algo assim? É ridículo de tão óbvio que há algo errado.

E chegamos ao processo seletivo para a fraternidade. É compreensível que os rapazes quisessem entrar, mas só de ver aquelas velas e o jeito sinistro dos superiores eles deviam recuar. É extremamente forçado o jeito que eles vão simplesmente aceitando as condições que lhes são impostas.

São castigos físicos, além do receio de não saber o que está por vir, e eles só vão na onda. Mais que isso, eles permitem que o grupo seja reduzido sem tentarem uma medida desesperada. Isso foi o que mais me irritou em O Juramento.

Os superiores eram 3 e eles eram 5, sendo que ninguém estava armado. A qualquer momento, principalmente depois do aviso da Rachel, eles podiam ter partido para cima deles, todos juntos.

É claro que havia um risco, mas acreditar que sairiam ilesos não fazia sentido, logo, a única possibilidade de ação seria atacar em grupo. Vantagem numérica é importante. Outro erro dos emboscados foi a covardia de não atacarem até o fim, de modo implacável.

Quando o Sam tentou fugir e foi pego, era o momento ideal para o ataque conjunto. A melhor hora para atacar era quando o inimigo estivesse ocupado, pois a vantagem de ação e planejamento era deles.

Depois, o Ethan perfurou um dos superiores e, ao invés de terminar o serviço, os rapazes fugiram. Aquilo foi irracional porque não os livrava de um problema e suscitava outro: por onde sair? Eles pensaram que se jogariam da janela do primeiro andar?

Eles fizeram tudo o que os superiores queriam: se dividiram e se enfiaram num lugar fechado sem saída. Ainda demoraram demais para compreender que a única forma de sair era na base da força bruta.

Novamente, quando o David foi pego, Ethan e Justin tinham a oportunidade para pegar de jeito um de seus emboscadores, mas escolheram fugir, embora não houvesse a mais remota ideia de como sair da mansão.

A cereja do bolo é a batalha final dupla. O Justin foi burro ao ponto de atacar uma pessoa armada com uma faca abrindo a guarda e ficou olhando enquanto o Ethan levava uma facada. Seria muito mais lógico ambos nocautearem um juntos para terem a vantagem numérica contra o restante. Claramente eles não tinham condições de vencer no 1×1.

Como no final era conveniente, o Justin ficou esperto e nos propiciou o interessante desfecho em que ele é aceito na fraternidade. Foi legal e satisfatório, até por não esclarecer se o Justin aceitou.

Gostei da virada do outro personagem do grupo, mas a achei mal explicada.

Os desafios foram repulsivos o suficiente para me incomodar, especialmente o jantar, que foi mais explícito. A sugestão do rato na barriga foi assustadora, mas a cicatriz não condizia com o estrago que ele teria feito para entrar, o que tirou um pouco da qualidade da cena.

No fim das contas, sobraram algumas perguntas: o que era exatamente a fraternidade? Só um grupo de festas e drogas? Por que as moças foram subjugadas? Por que o vira-casaca não foi atacado?

Apesar dos pontos negativos que eu apontei, O Juramento é um filme que funciona enquanto entretenimento. Não é lá grandes coisas, mas curti.

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