Crítica | Pyewacket (2017): guria retardada + magia negra

Ficha técnica no IMDb

Uma adolescente frustrada e angustiada desperta algo no bosque quando ela ingenuamente executa um ritual oculto para evocar uma bruxa.

Pyewacket é um filme interessante sobre uma relação mãe/filha. A demonstração do laço entre elas e suas nuances é o melhor aspecto do filme, o que dá peso ao seu final. O problema é que ele tem deficiências narrativas e técnicas.

Muitas cenas do filme são no escuro, o que dificulta a compreensão. Pior que isso: Pyewacket insiste demais no uso de closes e de uma câmera tremida que eu detesto. É confuso, incômodo e irritante. A montagem também tem momentos em que pula estranhamente de uma cena para a outra, como se faltasse um pedaço de filme.

Estes elementos atrapalham a experiência cinematográfica. Não são capitais para tornar o filme ruim, mas o impedem de ser muito bom. Descontando isso, Pyewacket pode, no máximo, ser pouco mais que razoável.

Destaco negativamente a cena em que a Janice finge estar sob o domínio das forças ocultas. É uma estratégia idiota de roteirista ruim para criar suspense e tensão ao mesmo tempo em que chama o espectador de otário. Ao menos não teve jumpscare idiota (o que é apenas a obrigação do filme, diga-se de passagem).

O sobrenatural que permeia Pyewacket é bem contido. Tem um pouco de sangue, uma sombra na escuridão e uma situação óbvia no final, mas nada muito gráfico ou que tire a imersão da trama. Esse método ajuda a conservar o nível de tensão, o qual perdura consistentemente por quase toda a duração do longa.

E o que o torna mais próximo de bom do que de ruim é a melhor personagem do filme, tridimensional e cativante. E tem também a protagonista. Brincadeiras à parte, mãe e filha são satisfatoriamente humanas. Considerando a morte do pai:

Leah é uma adolescente que encontrou conforto no ocultismo, que trata a mãe como se ela fosse a pior coisa do mundo e que toma decisões idiotas e absurdas. O mais assustador, como bem disse um amigo da Leah, foi ela ter usado magia negra para matar a mãe. Vou seguir chamando a mãe de mãe porque não percebi se o nome dela foi dito.

A mãe ficou muito sentida com a morte do marido e chafurdou na tristeza. Seu sentimento era tão profundo que ela precisou mudar de casa para conseguir seguir em frente. Após um período mais turbulento na relação com a Leah, ela fez de tudo para que a filha se sentisse bem.

Quando a mãe disse para a Leah seus sentimentos negativos, estava reagindo à pressão, pois a filha fora ingrata e a levara ao limite. Mesmo com esses sentimentos, ao reparar na possível tentativa de suicídio da filha, ela se sentiu culpada e quis corrigir as coisas.

A mãe erra, acerta, se esforça e demonstra ser uma pessoa normal. Não é apenas um lírio do campo injustiçado pelo mundo nem é um poço de maldade que justifique seu sofrimento. Até por isso, o fim dela me doeu. Só não doeu mais porque Pyewacket errou feio na composição do desfecho.

Eu aceito que a Leah tenha demorado a procurar uma forma de desfazer o ritual, mas, uma vez conhecendo-a, seu comportamento errante foi incoerente. Por que ela ignorou a voz que a chamava se obviamente devia ser a voz da mãe? Por que ela não fez o ritual reverso? Por que ela achou que mataria um demônio incendiando-o?

Assim que o autor do livro disse que o Pyewacket distorce a realidade, imaginei que haveria um plano nesse sentido para manipular a Leah. Lamentavelmente, em vez de fazer a Leah atacar num momento de desespero, Pyewacket a fez atacar de maneira premeditada, ignorando completamente que ela é um ser racional e devia pensar em outra forma de lidar com aquilo, até considerando a possibilidade de fazer o ritual reverso.

Essas ações sem lógica, principalmente a parte de fugir do chamado da mãe, me tiraram muito do filme. A intenção de fazer um final com a Leah matando a mãe é cabível, mas foi mal executada.

Pyewacket tem um bom suspense que não mostra muito (o medo inexplicável da Janice foi excelente), uma personagem muito interessante, uma protagonista crível até certo ponto e um enredo bacana. Por outro lado, a montagem tem problemas, a fotografia é por diversas vezes incômoda, há cenas de diálogo tão estranhas que parece que os personagens estão drogados (talvez estejam) e o final derrapa. Média 5.

Observação: as cenas finais com a dúvida sobre ser real ou não são muito boas. O que estraga é a decisão pós-emoção da protagonista.

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