Crítica | Temple (2017): qualquer coisa com fantasmas

Ficha técnica no IMDb

A trama segue três americanos em uma viagem ao Japão. Fascinados por um templo assombrado e que, apesar dos avisos dos aldeões, decidem passar a noite lá.

Temple é um grande qualquer coisa. Nada nele importa, tem peso ou é relevante. A experiência de assisti-lo é como ver 1h de personagens genéricos fazendo coisas genéricas até um final com um plot twist estranho. É um bom exemplo de filme de terror genérico (e ser genérico não é sinônimo de ser ruim).

A premissa de Temple inclui uma protagonista pesquisadora cujo propósito é estudar os mitos japoneses. Essa é até uma motivação interessante, mas é possível excluí-la sem que nada no filme mude. Há também o namorado dela e um amigo que fala japonês.

Nem a Kate nem seus chaveiros são individualmente relevantes. Eles são meros turistas que desafiam o bom senso. Foram ao templo, sabendo que não deviam. Ficaram lá à noite, sabendo que não deviam. O James saiu correndo na floresta sem motivo.

O James é até um caso curioso. Durante a viagem ele foi a uma casa noturna com o Chris e beijou outra mulher. Depois, ficou cheio de ciúme do Chris, soube que a Kate estava grávida e simplesmente saiu pela floresta no meio da noite, pelo caminho inverso. Por quê? Não há nenhuma explicação razoável para tal atitude.

E eis que a Kate dorme de conchinha com o Chris, ouve um barulho na floresta e sai correndo loucamente floresta adentro no meio da noite. Por quê? É difícil eu me importar com personagens desse nível de qualidade.

A mitologia de Temple possui sua historinha de justificativa, mas é também qualquer coisa. Não significa nada para os personagens ou para mim. Ela cumpre sua função, mas só cumprir função não quer dizer nada.

Em síntese, o resultado dessa deficiência dramática é que o plot twist do filme é, adivinha só, qualquer coisa. Desde o encontro do garoto com o Chris na casa eu já imaginava que ele poderia ser um fantasma. Não foi surpreendente nem muito incoerente, mas até aí tudo bem. Ressalto os desnecessários flashbacks da ausência do garoto.

A parte estranha foi a reviravolta de que os monstros não mataram a Kate ou o James. Não houve explicação sobre o que foi real, então fica como furo de roteiro. Dá até para dizer que Temple é um filme incompleto.

Em geral, filmes incompletos me irritam, mas Temple foi tão eficiente em não fazer eu me importar que apenas fui passando pelas cenas sem qualquer emoção. Além de todo esse problema dramático, há a parte técnica.

Boa parte do filme se passa à noite, no escuro, o que dificulta a compreensão do que ocorre. Essa questão é reforçada pela loucura dos personagens de saírem correndo pela floresta. Ou o roteiro é ruim, por ter personagens burros, ou muito conveniente, por ser tudo coisa da cabeça do Chris.

Tem toda uma dinâmica de interrogatório que é bem interessante no começo, mas se mescla inorganicamente com a história dos viajantes, acompanhada de um mais ou menos found footage. Acaba que essa investigação não leva a nada, pois o plot twist é místico, sem justificativas práticas ou dramáticas. Filmes como WTF! e Pânico na Ilha usam esse recurso de modo muito mais promissor.

No fim das contas, Temple é um grande nada polvilhado com pitadas de “mas como assim?”. Um dos piores filmes que vi neste ano.

Observação: nada de explicação sobre onde era o interrogatório, quem interrogava e por que o corpo do Chris estava daquele jeito. Difícil, hein.

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