Crítica | Tempo Esquecido (2014): fraco e bagunçado

Ficha técnica no IMDb

Depois de deixar uma visita de médico com a pior notícia, Valerie Dreyfuss e sua irmã Melissa chegam a uma parada em um trecho de uma estrada solitária. O carro é coberto por uma luz ofuscante e 12 horas depois Valerie acorda para o horror, descobrindo que sua irmã se foi e está longe de ser encontrada.

Nota sobre o Amazon Prime Vídeo

Assisti Tempo Esquecido no Prime Vídeo e ele evidenciou um grande problema da plataforma. Quando assisti Pânico na Floresta, escrevi a resenha com o título de “curva errada”, pois era o título do filme no Prime Vídeo. Esse erro provavelmente decorreu de uma tradução do nome original (wrong turn). Desde então, considero a possibilidade de os títulos de lá serem traduções dos originais, não as versões brasileiras.

O presente filme estava lá sob o título de “perdida no tempo”. Além de não ser uma tradução do original (lost time), esse nome leva o espectador, considerando a sinopse, a supor que a explicação do enredo envolverá viagem no tempo. Assim, pessoas que gostam desse mecanismo podem assisti-lo, mas ele não tem nada de viagem no tempo, o que as frustraria.

Sobre sinopses, no filme Monstrosity a descrição entrega o plot twist e faz supor que a virada do filme seria seu ponto de partida. Esses problemas do Prime Vídeo prejudicam muito a experiência de assistir a tais filmes.

O filme Tempo Esquecido

Eu senti o peso do drama da Valerie e da Melissa. Me importei de verdade com as personagens, seu conflito e o ato de permanecerem juntas. Esse começo eficiente acaba quando, numa estrada no meio do nada, surge uma luz, um lapso temporal e a Melissa desaparece.

A situação intrigante foi positiva e um mistério foi acrescentado: por que a Valerie foi curada do câncer? Como eu achava que haveria viagem no tempo, supus que de algum modo a Melissa teria agido para curar a irmã no passado, ou ambas teriam se fundido (no comecinho considerei a hipótese de a irmã sequer existir).

Só essa expectativa já me tirou do filme quando o rumo da trama se concentrou em alienígenas e respostas psicológicas. A chegada à clínica apontou numa direção interessante de um grupo de pessoas trabalhando em conjunto para compreenderem o que as afetou.

Há vários exemplos positivos desse tipo de enredo, como A Hora do Pesadelo 3, Garota, Interrompida e Os Novos Mutantes. Em Tempo Esquecido, a parte da clínica é uma mistura de nada com qualquer coisa e várias pitadas de confusão.

Não é confuso por ser difícil de entender, é confuso porque joga as informações, não as trabalha e segue assim mesmo. Não há subsídio para compreender o que é que se passa com a mente dos personagens ou o motivo de haverem implicações físicas para a tentativa de solucionar o problema via mergulho psicológico.

O que é consistente é o jeito suspeito das pessoas da clínica, mas isso não sustenta a qualidade do filme. Quando é revelado que eles são alienígenas, a informação tem contornos de um diálogo casual, sem haver uma preparação que o tornasse um grande plot twist.

Tudo vai sendo jogado de qualquer jeito. Os alienígenas abduziram pessoas e deixaram as pessoas com melhor qualidade genética. Depois, as atraíram para coletar seus genes e fazer… alguma coisa. Os alienígenas fizeram amarras ruins no namoradinho da protagonista, ele se livrou, eles quase fugiram, mas voltaram para resgatar uma guria e a guria foi misteriosamente controlada para matá-lo.

A última ação tem algum peso e não tive nada contra, exceto a estranheza do controle do corpo da guria. O grande problema é que nada disso parece ter sido executado com a intenção de fazer eu me importar. Tive a impressão de que foi tudo de qualquer jeito mesmo. Destaque para as cenas de ação ruins filmadas com uma detestável câmera tremida.

Até aí, a ruindade do filme era padrão, mas eis que reaparece uma mulher misteriosa, faz uma explicação sobre realidades paralelas completamente desconexa e descabida e age como um Deus ex machina, dando à Valerie a chance de salvar seu namoradinho.

Essa sequência é um tapa na cara do espectador, pois se baseia em nada, é muito deslocada, extremamente conveniente e tira o peso da única coisa que importava no final. A cereja estragada no bolo de lixo é que nada disso adiantou, pois o alienígena veio pegar o brinquedinho coletor genético que deixou na Valerie.

Se é para fazer um Deus ex machina, pelo menos encerre a história com ele num final feliz. Uma das coisas que mais me irrita na ficção é o uso desse recurso antes de mais uma ação de impacto, como um Diabolus ex machina, ou a continuidade da obra (como no caso de Naruto e Bleach).

Tempo Esquecido é um filme ruim, bagunçado e nada recomendável. Com o título errado do Prime Vídeo ele ficou dez vezes pior para mim, porque eu esperava um enredo mais interessante.

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