Crítica | Noite das Bruxas Macabra (2014): funcionar não é ser bom

Ficha técnica no IMDb

Na noite anterior ao “Halloween”, um assassino mascarado persegue uma babá adolescente.

Noite das Bruxas Macabra é o filme dos personagens estranhos. Tem os garotos babacas insistentes que se ferram duas vezes e ainda voltam para atazanar a protagonista, tem o velho super protetor que não se cansa de elogiar a beleza da protagonista, tem o imbecil que fez o trote do “eu gosto da sua amiga”, tem a própria protagonista e, é claro, o mascarado.

Toda essa ambientação de personagens estranhos é aliviada pela data comemorativa, mas não deixa de ser bem desconfortável e constrangedor acompanhar algumas cenas. Mais que isso, há vários momentos que fazem pouco ou nenhum sentido, considerando as informações disponíveis até então.

A Daphne é um bom exemplo. Depois de a Kaylie desligar o telefone grosseiramente, ela ligou de novo. Mais tarde, foi até a casa dela e parou diante da porta. Houve um flashback em áudio e ela obedeceu a protagonista, indo para a porta dos fundos. Aquilo foi tão sem nexo que eu pensei que o flashback fosse uma ordem na hora. Ou… será que foi na hora mesmo? Veremos adiante.

Daí, a Daphne ficou andando com tanta cautela que pareceu esperar por um vilão. Isso leva a um problema recorrente de Noite das Bruxas Macabra: lentidão. Tem muitas cenas que são arrastadas demais. É compreensível que o objetivo é elevar a tensão, mas tal lerdeza não é exatamente justificada pelo ponto de vista dos personagens.

É na relação da Kaylie com o mascarado que entram as maiores bizarrices. Ela vê o mascarado, sai de casa com uma faca e do nada tira a roupa e dá um mergulho na piscina. Na casa, ela se recusa a chamar a polícia, arrebenta o mascarado e demora uma eternidade para tirar a faca da mão dele. O cutuca por motivo nenhum e sai correndo, deixando a faca no chão. Depois de se jogar pela janela, ela fica estranhamente parada, deitada no quintal.

Quando o mascarado a prende, as coisas ficam bem piores. Gosto de como a brincadeira dela com facas e a automutilação criam o ambiente para sua personalidade masoquista aflorar, mas não é como se isso justificasse o modo como ela fala com o mascarado. A interação deles é como a de dois amigos amantes de pegadinhas.

Essa falta de justificativa me distanciou dos personagens e tornou todo aquele meio de relacionamento entre vítima e algoz muito chato e desinteressante. Tem um monólogo do mascarado sobre ser um assassino que foi o ápice do tédio. A consequência disso é que eu passei a me concentrar na única característica relevante de Noite das Bruxas Macabra: por que a Kaylie age daquele jeito?

Pensei em duas possibilidades. Ou era tudo realmente uma brincadeira dos dois, como a realização de uma fantasia, ou a Kaylie estava enrolando o mascarado para vitimá-lo posteriormente. Quando a revelação surge, ela justifica vários detalhes estranhos do filme e é até uma reviravolta legal, mas não salva a experiência.

Não adianta ter um bom plot twist se o resto do filme é chato e irritantemente sem sentido, enquanto é assistido. Por isso, por mais que Noite das Bruxas Macabra seja coerente, ele é ruim.

Lembra aquele momento da porta que poderia ser um flashback ou não? Pensei no flashback porque tem uma ligação da protagonista para a Daphne em que ela pergunta onde a amiga está. Considerando a reviravolta, a Kaylie pode ter feito isso para ter uma evidência a favor dela.

Observação: e o prêmio de pior surpresa para uma amiga vai para a Daphne. Ela teve a brilhante ideia de fazer a protagonista achar que o rapaz por quem ela é apaixonada gosta da própria Daphne.

Observação 2: me incomodou muito os momentos em que a Kaylie morde os lábios, como se quisesse seduzir alguém. Até faz sentido, mas parecia contradizer o clima do filme. Novamente, fazer sentido não é igual a ser bom.

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