Crítica | Anaconda 4 (2009): gente demais

Ficha técnica no IMDb

Murdoch, um poderoso magnata prestes a morrer, contrata um médico para colher um suprimento fresco de orquídeas sangrentas e fazer experiências com o néctar regenerador usando um filhote de cobra. Da noite para o dia, o filhote cresce e torna-se um verdadeiro monstro tanto em tamanho quanto em apetite.

Anaconda 4 é continuação direta de Anaconda 3. Tal fato é tão evidente que praticamente funcionam como “parte 1” e “parte 2”. Curiosamente, o 4 carrega um problema do 3 de forma absurdamente potencializada: personagens demais em tela (e flashbacks ruins).

Há o núcleo da Amanda, a pesquisadora do Anaconda 3, que vai para a floresta em busca dos experimentos que um cientista fez com as orquídeas sangrentas; o caçador que o empresário contratou para ir buscar os experimentos do cientista; um sujeito aleatório perdido; um grupo de arqueólogos.

Devido ao Anaconda 3, eu me importo com a Amanda, com o empresário e, por tabela, com o caçador. O resto não importa e não é necessário de modo algum. Qual a serventia do sujeito aleatório para a trama? E o que dizer do grupo de arqueólogos?

Além de eles serem irrelevantes por si só, é bizarro seu transcorrer. Foi estranho mandarem um ir sozinho na frente, aí ele volta dizendo que encontrou gente morta no acampamento e o argumento brilhante do cabeça é: “viemos muito longe para voltar”. Não faz sentido.

Os corpos que sumiram no acampamento não foram explicados e, basicamente, os arqueólogos servem apenas como munição para Anaconda 4 gastar em mortes. Péssima decisão. É mal executada e atrapalha muito tanto o ritmo quanto a concepção geral do filme.

O grupo da Amanda é descartado sem dó, sendo que tinha muito mais potencial para ser interessante do que os arqueólogos, e ela age como uma pessoa que caiu de paraquedas naquela situação. Mesmo sabendo dos riscos envolvidos, o preparo dela envolvia apenas uma dupla de colegas, duas armas de fogo básicas e explosivos que por algum motivo ela não explodiu no momento em que os colocou (revi a cena do final e não pareceu que ela apertou algum botão nos explosivos).

O grupo do caçador é praticamente um bando de patetas. A traição no final foi interessante, mas eles foram eliminados de modo patético. Tinham armas, mas praticamente não usavam. Só para ter uma ideia, a Amanda descarregou ambas as armas em um deles que estava de costas, mas um deles, tendo uma arma maior em mãos, deu três tiros sem direção enquanto a anaconda se aproximava.

Não há palavras para descrever a tosquice da cena em que um mercenário puxa o pino de uma granada visando um ataque suicida, é ignorado pela anaconda e explode sozinho. Ruim demais essa tentativa de humor.

E a incompetência do grupo não é só em combate. Embora a missão do caçador fosse pegar o soro, ele não fez nenhum plano para tal. Pior que isso, colocou a Amanda junto com um homem para procurá-lo.

A mesma Amanda que tinha motivo para não querer entregar o soro e um homem que nada tinha a ver com a paçoca, sendo obviamente um recurso de roteiro para possibilitar uma reação física mais ou menos coerente (coerente se considerar a incompetência dos mercenários patetas).

Quem fecha o conjunto de personagens patetas é o empresário. Ele sabia que a anaconda estava por perto, tomou o soro e ficou parado lá, como se tivesse se esquecido daquele “pequeno” detalhe.

A anaconda não tem uma computação gráfica notoriamente ruim, ganhou um upgrade de regeneração e mantém a tradição de atacar de modo muito conveniente. Embora no final ela acompanhe a velocidade do carro em fuga, várias vezes se mostrou incapaz de alcançar pessoas correndo.

Depois de todo um filme ruim e encerrada a sua trama, Anaconda 4 resolveu inserir uma cena de ação envolvendo um carro em movimento. A cena é muito empolgante, mas não devia vir depois que o enredo praticamente fechou. Ela devia ser mais clímax que epílogo.

Nessa sequência, inclusive, alguém devia ter dito ao ator do sujeito aleatório que não faz sentido correr daquele jeito quando se está ajudando alguém a ficar de pé. Se aquela mulher fosse uma pessoa debilitada, não uma atriz, teria caído no chão.

E o fechamento dessa beleza de obra é a constatação de que a anaconda é praticamente indestrutível.

Anaconda 4 é um filme ruim, mas não ofensivamente ruim, como seu antecessor. O problema é que ele parece ter sido feito de qualquer jeito, jogando personagens na história sem considerar o impacto deles na estrutura narrativa.

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