Crítica | A Árvore da Maldição (1990): podia ser melhor

Ficha técnica no IMDb

Camilla parecia ser a escolha correta para o emprego de babá. Bonita e saudável, ela inspirava confiança ao casal Phil e Kate, que deixaram seu filho recém-nascido aos seus cuidados Só que por trás daquele rosto bonito se escondia uma diabólica sacerdotisa druida, incumbida de raptar bebês e oferecê-los em sacrifício ao espírito negro da floresta, representado por uma árvore enorme e sombria.

Quando você vê um bebê ensaiando seus primeiros passos e ele mais ou menos se ergue, balança e cai, você o parabeniza. Ele não fez grande coisa, mas, para suas capacidades, foi até que longe. Isto é A Árvore da Maldição: um filme de deficiências óbvias, mas que possui pontos positivos interessantes o suficiente para valer um elogio.

A cena inicial do filme é a tradicional demonstração genérica do “terror” do filme. Aqui ela é realmente assustadora e, por si só, eu gostei bastante. O problema dela é que, a partir do momento em que a vejo, sei que a babá contratada é a vilã. A obviedade e a previsibilidade não necessariamente são elementos que desqualificam uma obra, no entanto, em A Árvore da Maldição isso joga contra acertos do filme.

A Camilla é uma personagem cativante. Quando ela surge, em meio à babás de qualidade duvidosa, desperta confiança. O decorrer da trama a desenvolve como alguém competente, com toques de tensão sexual entre ela e o Phil e cria um drama a mais com a perseguição que ela sofre na floresta.

Aquela cena incômoda devia fazer o espectador sentir pena dela, só que o filme se sabota deixando claro, desde o início, que a Camilla é uma pessoa ruim. Toda a cena da perseguição e a reação da árvore é bem legal, mas não tem o peso que poderia ter.

A tensão e o suspense bem construídos por A Árvore da Maldição também são impactados negativamente por essa vilania prévia, o que tira do filme a possibilidade de ser um suspense marcante, ou, até mesmo, ótimo. Contudo, esse erro inicial não é o único cometido pelo enredo.

Há momentos em que os personagens agem de modo estranho. Para começar, certo sujeito vai até a casa à noite para entregar flores à Camilla e fica espreitando-a na floresta. O Phil ouve meio recado da caixa postal, só termina de ouvir quando a revelação já havia ocorrido, pega o filho recém-nascido doente e sai correndo, ignorando o fato de que o bebê provavelmente morreria. A cereja do bolo é a Kate ver a Camilla pegar o filho dela e não fazer nada.

Alguns elementos fantasiosos não exigem explicação, mas eu gostaria de entender o motivo de o bebê ter adoecido e depois melhorado, sendo que não foi indicado em momento algum que a Camilla os modificava antes do sacrifício. Não é um grande problema, mas as pequenas estranhezas distanciam o espectador da obra, reduzindo a qualidade da experiência.

O confronto final em dose dupla foi bem pensado, embora um pouco arrastado. Algumas pessoas podem achar exagerado e bobo, mas, considerando a natureza mística da vilania, me parece coerente.

A parte técnica de A Árvore da Maldição é especialmente interessante. Normalmente os filmes que apostam muito em cenas escuras são incômodos, mas, neste, funciona. Há um terror muito bem elaborado que envolve essa falta de luz e o enquadramento dos atores de modo que eles parecem olhar diretamente para nós. Foi esse tipo de câmera que tornou o Hannibal de O Silêncio dos Inocentes tão assustador.

Se por um lado a fotografia é muito boa, a montagem é muito ruim. Incomoda demais a quantidade de cenas que são cortadas de forma brusca. Uma em especial não agrega nada à narrativa, embora tenha uma violência que me agradou. É nítido como A Árvore da Maldição é problemático.

A Árvore da Maldição é um filme legal, pois tem bons acertos, apesar de seus ruins erros. No balanço final acaba sendo positivo, já que sua vilã é bem pensada.

Observação: nada daquilo teria acontecido se o casal tivesse ligado para os contatos fornecidos pela Camilla.

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