Crítica | 13 Câmeras (2015): só isso?

Claire e Ryan, dois recém-casados, se mudam para uma nova casa, onde irão descobrir que seus atritos conjugais são o menor de seus problemas. Sem o conhecimento deles, o proprietário espiona o dia a dia do casal por meio de câmeras instaladas na casa.

13 Câmeras tem um lado dramático e um lado terror. O lado dramático é interessante e o terror meio que só está lá para que o filme pertença ao gênero. Não que ele seja simplesmente ruim, mas parece jogado de qualquer jeito.

Lado dramático

Claire e Ryan são um casal feliz partindo para um novo momento de suas vidas. As conversas sobre a gravidez são agradáveis e, depois de a Claire dizer que não queria que ele a visse nua, a cena dos dois juntos é especialmente satisfatória.

Essa perspectiva bonitinha é quebrada pelo conhecimento de que o Ryan tem um caso com a assistente. Ele traía a esposa grávida na casa deles. Assim ele se torna um personagem altamente detestável.

Tal sentimento é reforçado devido aos outros personagens serem diferentes dele. O amigo tentou convencê-lo a esclarecer a situação e a amiga contou para a Claire. Até a amante teve seu contrapeso. É lógico que ela estava errada em ser amante dele, mas ela pelo menos queria parar de enganar a Claire, diferente do Ryan.

A trajetória do adúltero culmina na cena em que a Claire exige que ele saia de casa. Ele vai embora, mas volta para conectar o lado dramático com o lado terror, pois a Claire encontrou uma pista das peripécias serelepes do senhorio.

Lado terror

Gerald, o senhorio, é um sujeito bizarro que se comporta socialmente como um lunático. Ele passa boa parte do filme observando o casal através de suas câmeras escondidas, entra na casa sorrateiramente para fazer ajustes em alguma coisa, faz amizade com o cachorro da família para não ser incomodado, prende a amante do Ryan no porão, ataca o casal convenientemente quando a amante se liberta, mantém a Claire em cativeiro e aparentemente cria o filho dela.

Esse é o terror de 13 Câmeras. Na verdade, o momento mais assustador é quando a Claire está sozinha na casa com o Gerald e ele subitamente coloca a mão na barriga dela. Tanto isso quanto o resto é só tentativa de terror, pois não significa nada.

Não que obras de ficção precisem explicar a natureza de seus personagens, mas não se faz bons personagens apenas com ações. Elas têm que ter algum valor, senão será apenas uma história genérica.

Certo, observar o banho dos personagens indica que o Gerald é um pervertido. E daí? É só isso? Não há motivo claro para ele ter prendido a amante no porão, para sua escolha pelo confronto naquela noite ou para ter mantido a Claire viva. Ela continuou viva em cativeiro? O que o Gerald queria com o filho dela? 13 Câmeras não dá respostas.

Como o olhar do Gerald não agrega terror nem profundidade ao personagem, ele serve apenas para perder uma boa oportunidade. Se era para não usar o personagem, o roteiro podia ter usado a perspectiva do casal.

Assim, haveria o plot twist chocante da amante no porão e do senhorio bisbilhoteiro. Ainda que não tivesse significado, seria narrativamente mais competente e tornaria 13 Câmeras uma experiência muito mais marcante.

O que sobra dos elementos de 13 Câmeras é o uso das câmeras de vigilância. Elas são um mero adereço, não servindo para algo num estilo found footage nem para qualquer detalhe razoavelmente criativo.

13 Câmeras é um grande tanto faz. O filme é fraco e nada recomendável. O suspense não funciona por não vermos o senhorio como ameaça, apenas inconveniente.

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