Crítica | Ringu 2 (1999): nada a ver

Ficha técnica no IMDb

Reiko esconde Yôichi quando seu filho começa a exibir poderes assustadores. Enquanto isso, Mai Takano e as autoridades começam uma busca desesperada por eles, enquanto a misteriosa maldição do Chamado se espalha.

Ringu 2 é continuação direta de Ringu (ou Ring: O Chamado), mas funciona como um reboot, uma repetição de personagens e nomes, embora sem o brilho do original. Muito do estilo da trama mais ou menos se mantém, só que a alteração na essência da estrutura temática é um grande problema.

Em Ringu, a história se desenrola revelando mais detalhes sobre a fita amaldiçoada, conforme a investigação da Asakawa avança. Ele é um filme focado em uma trama investigativa até os ruins 10 minutos finais, quando abdica deste clima para ser mais sobrenatural.

Ringu 2 é inteiramente sobrenatural. Ele praticamente não agrega nenhuma informação à história da Sadako, não explica nada sobre ela ou sobre a fita e a transforma em uma assombração que possui pessoas e realiza manifestações no mundo físico, sem aquela ligação com o ato de assistir à fita.

Essa mudança no tom não acompanha uma mudança no ritmo. Ringu 2 também é um filme bem lento e arrastado. Como sua trama não evolui a do filme anterior e faz a burrice de eliminar o único personagem com o qual eu me importo, numa cena sem graça, ele parece insuportavelmente irrelevante.

Depois de a Asakawa sumir junto com seu filho e reaparecer sem que fosse dado um motivo para sua peripécia, Ringu 2 estabelece como conflito o jeito que a presença da Sadako desperta seus poderes no Yôichi.

Claro que a manifestação desses poderes é um problema para as outras pessoas, mas não para o próprio Yôichi nem para a Asakawa, então é um conflito que não importa. Por não importar, todo o trajeto até o exorcismo dele, incluindo o que devia ser o clímax do filme, é irrelevante e sem graça.

Ninguém que me importe está correndo risco. Mesmo a personagem que morreu, o foi de súbito e sem muito motivo.

O aspecto sobrenatural também carrega o problema de não seguir da natureza demonstrada em Ringu, ou seja, que coisas estranhas acontecem com quem vê a fita. É como se a Sadako mudasse de modus operandi sem que seu método antigo fosse devidamente esclarecido, tanto em conceito de poder quanto na prática (por que uma fita? Por que sete dias? Por que a cópia salva?).

Outro ponto extremamente irritante é que Ringu 2 possui alguns trechos de investigação que repetem informações que os personagens não sabem, mas o público sabe. Isso o torna ainda mais chato e, aparentemente, inútil.

Um detalhe importante que torna mais difícil gostar do filme é que Ringu 2 tem um protagonista diferente do Ringu, embora seu protagonista não tenha absolutamente nada de especial e o protagonista do primeiro filme tenha muito mais motivos para entrar numa jornada vinculada a descobrir a natureza dos poderes da Sadako.

Provavelmente ainda vou escrever sobre a trilogia americana, mas já destaco que a comparação entre os segundos filmes é uma disputa entre o nada acontece feijoada e a ideia obviamente burra e ilógica.

Falando sobre momentos bons, destaco a cena em que o papel do garoto puxa muita água e deixa claro que há muito mais Sadako nele do que na mulher da interferência televisiva.

A escolha temática de Ringu 2 é nada a ver, trocar de protagonista é nada a ver, a manutenção parcial da estrutura é nada a ver e a protagonista não tem nada a ver com a paçoca, mas termina mãe adotiva do garoto exorcizado.

Ringu 2 é um filme lamentavelmente ruim e, claro, nada a ver.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s