Crítica | Skyfire (2019): o desespero de uma erupção

A Ilha Tianhuo é tão bonita quanto um paraíso. Quase faz as pessoas esquecerem que está localizado no “Anel de Fogo”, o mundialmente famoso cinturão vulcânico da Orla do Pacífico. O vulcão entrou em erupção e o destino das pessoas na ilha foi emaranhado.

Em se tratando de filmes sobre desastres naturais, um terremoto ou um tsunami exigem um trabalho razoavelmente aprofundado de roteiro para que o longa alcance mais de 1h de duração e o espectador se importe com os momentos de ação. Isto ocorre em especial por conta da limitação destes eventos. Tsunamis e terremotos são visualmente simples e acabam não se saindo dinâmicos o suficiente para prender o público por muito tempo.

Skyfire explica como o caso é diferente quando se trata de um vulcão. A nuvem de cinzas e o fluxo de lava permitem a criação de situações muito próximas da tensão de uma perseguição, ao estilo dos filmes policiais. Dito isto, podemos concluir que o protagonista de Skyfire é o vulcão.

Não que a personagem principal, Meng Li, seja inócua. O roteiro se esforça em traçar um arco narrativo de trauma e enfrentamento, a jornada de uma mulher que viu pessoas morrerem numa erupção vulcânica e estudou sobre o assunto para, profissionalmente, impedir que tragédias como aquela se repitam. É funcional e satisfatório, nada mais do que isso.

Os demais personagens, sim, são quase que totalmente descartáveis. Eu salvaria apenas o Jack Harris, devido ao miniarco dele relacionado ao relógio. Todo o resto só é útil para que o vulcão mostre do que é capaz, até porquê, a Meng não possui lá grandes momentos dramáticos. O único de fato é a perda do pai, mas tal situação é resolvida com um buraco conveniente e um flashback expositivo. Péssima escolha.

E o vulcão manda muito bem. Os efeitos visuais da chuva de fogo e a edição de som criam um clima quase desesperador. Quase porque, graças aos personagens fracos, eu mais admiro a beleza da destruição do que me assusto com ela.

Existem algumas cenas exageradas que valem pela tensão, como o salto de um teleférico para o outro e a fuga de carro. Destaco nesta última o absurdo de estarem fugindo de ré, é bizarramente incrível. O problema foi a estúpida decisão da protagonista de parar o veículo em dado momento, sendo que o óbvio era acelerar mais ainda.

Outras cenas exageradas não funcionam, como o casal mergulhador. Demorado demais, sem graça e desconexo do estilo de tensão do filme. Estilo muito eficiente. É impossível não vibrar quando o carro está suspenso ao lado da lava e os personagens precisam escalar um cabo para sobreviver.

O balanço de Skyfire é positivo. Se não for visto com muita expectativa, pode até empolgar. O desastre da erupção vulcânica ocupa boa parte do tempo de tela e é bem utilizado em diferentes aspectos.

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