Crítica | Olhos Famintos 2 (2003): e não é que é legal?

Um ônibus escolar, repleto de jogadores de basquete, cheerleaders e técnicos, fica parado no meio de uma estrada deserta. Lá eles precisam confrontar um perigoso monstro, que ressurge a cada 23 anos. Ao mesmo tempo, um fazendeiro e seu filho partem em busca do monstro, na intenção de destruí-lo de uma vez por todas.

Olhos Famintos é um filme fraco, ruinzinho e extremamente irritante devido à burrice de seus personagens. A dupla protagonista, em especial, deve reunir a maior quantidade de burrice que já vi em personagens de filme de terror. E olha que eu já vi muitos personagens burros.

Um dos erros do filme é a marcação do decorrer da aventura, que acaba cruzando com as burrices. Destaca-se a sequência da queda do rapaz no porão da igreja. Dito isto, eu esperava que Olhos Famintos 2 também fosse um filme fraco, mas ele não é.

A cena de abertura é assustadora, embora um pouco arrastada, e mostra um ataque do Creeper. Destaque para o medo evocado pelo “disfarce” de espantalho que o vilão assume. O final dessa cena mostra o Jack, pai do atacado, com uma expressão de quem vai ficar catatônico, ou algo assim. Ela acaba sendo importante para valorizar o terço final do filme.

O começo “pra valer” do longa indica que ele foi feito com algum esmero. Vemos um ônibus de um time cheio de cantoria. Uma interminável e irritante cantoria que assim o é apontada por uma personagem que pergunta até quando a canção continuará. Essa percepção dela significa que a chatice da canção é proposital. Aí está o esmero.

Em Olhos Famintos 2 o início do ataque não contém muitas explicações. São duas sabotagens e a grande dificuldade de comunicação antes do perigo se apresentar explicitamente. Esse ponto positivo resulta no ponto negativo da personagem que explica o roteiro.

Essa é a única função dela: explicar o roteiro. Por motivo nenhum ela tem visões que esclarecem a natureza do Creeper e fica por isso mesmo. É legal a aparição da vítima do filme anterior, fortalecendo a ligação entre ambos, mas os diálogos expositivos oriundos das visões são detestáveis.

Olhos Famintos 2 deixa claro que é sequência direta de Olhos Famintos através de uma notícia no rádio que menciona eventos do filme anterior como ocorridos dias antes. Sou da teoria de que filmes devem funcionar de forma independente, mas este seria melhor se apoiasse seu embasamento mitológico no anterior em vez de reciclar bisonhamente as visões. Ou isso ou usasse outra forma de esclarecer tudo.

Os personagens deste filme são meio descartáveis. Não apenas no sentido de não serem interessantes, mas por não haver alguém com pinta de protagonista, tirando o Jack. O grupo do ônibus é bem genérico.

Gostei muito do Scott, a tensão racial e o jeito que ele sugeriu a separação do grupo entre os que seriam comidos e os que não seriam comidos (que seria uma medida bem lógica, caso os saborosos fossem conhecidos). O considerei protagonista e essa relevância estar em um personagem babaca me agradou um bocado. Infelizmente, Scott virou ração de monstro e levou consigo parte da graça do filme.

Um problema que tive com a formação do grupo é que não foi explicado o motivo de três mulheres estarem com o time. Uma aparentemente estava por ser namorada do Scott, mas as outras não tiveram explicação.

É comum, especialmente nesses filmes de jovens, a sexualização das personagens femininas. Não raramente as vemos de calcinha e sutiã sem motivo, sem utilidade ou por óbvias desculpas, como um banho de mar ou piscina.

Ocorre que em Olhos Famintos 2 os personagens masculinos são sexualizados. Pelo menos no sentido de estarem sem camisa sem motivo ou para tomar sol deitados no teto do ônibus que acabara de ter seu pneu furado.

Apesar de eu não considerar os personagens do ônibus individualmente relevantes, a condução de seus atritos é agradável e orgânica, algo que não costuma ser visto em filmes de terror.

O protagonista do filme acaba sendo o Jack, que surge mais tarde para salvar todo mundo (sem chamar a polícia) com seu arpão montado com uma lâmina deixada pelo próprio Creeper. Aquele carro com o arpão é muito legal e a dinâmica do combate também. Me empolgou muito.

Como o começo do filme construiu a raiva sentida pelo Jack, o desfecho com ele acertando a lança em seu inimigo e, mais tarde, aguardando o retorno do Creeper, é muito bom e satisfatório. Com ele, por mais que Olhos Famintos 2 não seja um grande filme, acaba se tornando uma experiência válida.

O Creeper é um vilão funcional sem defeitos óbvios. Apenas isso. Prefiro quando ele está mais em forma de homem bizarro do que em forma de monstro.

Olhos Famintos 2 é um filme legal com um vilão ok, personagens que não comprometem, ritmo satisfatório, herói agradável e desfecho bacana. Talvez eu esteja tendencioso por esperar que fosse um filme ruim, mas senti que este, diferente do antecessor, é nota 7.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s