Crítica | Viajantes do Tempo (2018): entre o interessante e o mal aproveitado

Ficha técnica no IMDb

Viajantes do Tempo é uma coletânea de histórias curtas envolvendo viagem no tempo, como uma antologia temática. Geralmente esse tipo de filme é problemático, irregular e meia boca, mas este tem o charme da viagem no tempo.

Primeiro conto

Trabalhar bullying é algo que me agrada, pois gosto de filmes como Carrie, a Estranha e Karatê Kid, então automaticamente me interessei pela história. A dinâmica das voltas no tempo, o desconforto com o contato social e o pai babaca por trás do valentão me encheram de expectativa quanto ao filme ser ótimo.

Quando descobri que eram apenas contos, fiquei muito frustrado. Todo aquele belo laço do garoto com a garota não foi usado para algo mais profundo e o mecanismo da bolinha, bem como a questão do desaparecimento do pai, não foram aprofundados. No caso do pai sequer há explicação. É como um pedaço de um filme muito bom. Apenas um pedaço.

E aquele homem no final? Como assim?

Segundo conto

Este vale apenas pelo mecanismo. É legal a ideia de nos apresentar ao meio do ciclo, de modo que não saibamos exatamente como o loop começou. O problema é que a atitude da protagonista de manter o ciclo não faz sentido.

Ela podia viajar no tempo para outro momento ou esperar, para não entrar naquele confronto. Além disso, ela sabia que a própria morte seria causada pela tentativa dela de matar a outra ela, logo, não havia motivo para se temer.

O primeiro conto parece o argumento, ou introdução, de um bom filme. Este parece um mecanismo que poderia integrar um bom filme.

Terceiro conto

A cena inicial com a velha sendo puxada de volta entrega a existência de um terror e, pior que isso, é um terror diferente do proporcionado pelo conto. Erro bobo do roteiro.

O verdadeiro terror me lembrou na hora de Tempo (o filme temporal de Shyamalan) e a situação de envelhecer rapidamente é muito assustadora. O filme a emprega bem, de forma cadenciada. A mescla com a geração de matéria feita pelo apartamento torna tudo mais interessante e robusto. Quando descobrimos que a protagonista precisa passar o apartamento para outra pessoa, é um choque.

Entendemos o começo e sacamos a possibilidade quando o ex-namorado dela diz que irá falar com um corretor. Teria sido um bom final o casal pegar o apartamento, mas achei bacana o rumo escolhido pelo roteiro: a protagonista se rendeu ao apartamento, que a consumiu e integrou à sua estrutura (que é o significado do fio vermelho).

Destaque assustador também para os fios saindo e dentro do corpo dela. O que faltou foi o filme mostrar mais do que o apartamento fez quando deixaram-no sem inquilinos. Este conto foi bem legal de assistir.

Quarto conto

Esse é o pior e mais preguiçoso de Viajantes do Tempo. Ele coloca uma suicida, a faz desaparecer e isso é irrelevante, pois o que deveria ser legal é que o policial viajou para o futuro. Só isso. Devem ter feito esse só para cumprir tabela, porque não há nada para comentar.

No geral, Viajantes do Tempo é uma coletânea interessante para quem gosta de filmes com essa temática.

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