Crítica | Suspensão (2015): boas ideias, execuções nem tanto

Ficha técnica no IMDb

Uma garota do ensino médio e seus colegas que fazem bullying com ela são aterrorizados por um assassino psicótico que é mais do que aparenta ser.

Em teoria, cada um dos diretores liderados pelo diretor geral de um filme conta a história pela sua perspectiva técnica. O diretor de som conta a história com os efeitos sonoros, o diretor de fotografia conta a história com os enquadramentos e o diretor de arte conta a história com a estética do filme.

Isso é básico em produções cinematográficas, ainda que não saibamos identificar o que cada diretor quis passar com os detalhes técnicos da obra. Em alguns casos, é possível ver claramente a intenção da composição técnica demonstrada pelo filme. Suspensão é um destes casos.

Essa menção é necessária, pois Suspensão aparenta ser um filme feito com esmero. Ele pode não ser perfeito, mas possui uma narrativa dupla que é extremamente interessante e inteligente. Filmes com essas características estão em um nível acima, ainda que errem na execução.

Emily é uma jovem que sofre bullying e desenha a história de um assassino. Em seus momentos de produção, somos levados a assistir ao desenrolar dessa história. O mundo real do filme é normal, mas o mundo ficcional é cinzento, com exceção da cor vermelha (que aparece no celeiro e no sangue).

Ao longo de Suspensão, acompanhamos ambas as histórias. Vamos conhecendo a vida de Emily, cujo pai provavelmente foi um assassino, e observando a jornada do Michael Myers genérico que ela desenhou.

Nenhuma delas é muito interessante. Por mais que o passado da Emily me intrigasse, o bullying absurdo sofrido por ela dificultava a minha imersão na trama (fora que ela foi babaca com a garota que tentou ajudá-la a ser feliz). A cena do banheiro é exagerada demais. Por outro lado, as aventuras do Myers não passavam de um slasher genérico sem nada que me fisgasse a atenção.

Essa enrolação ocupa mais da metade do filme e eu me perguntei seriamente se a sinopse não estava errada (o que não seria uma surpresa, vindo do Prime Vídeo). É aí que entra a grande ideia de Suspensão: o mundo ficcional se conecta ao mundo real.

Quando a Emily entrou na narrativa cinzenta, eu tive certeza de que o plot twist do filme era ela ser o mascarado. Como podemos supor que o cinzento é o ponto de vista dela, o mascarado atacá-la faz sentido e ainda ajuda a convencer o espectador de que realmente é o pai da Emily.

A falta de cor proporcionada pela noite e a desculpa do ponto de vista da Emily aliviam a falta de sentido na manutenção da presença física e atuante do mascarado. Não é o suficiente para que as cenas finais da Theresa e da Carrie sejam coerentes, mas isso não é o fim do mundo.

Suspensão é muito bom ao escolher esse rumo, mas não é perfeito. No mais, consegue ser uma diversão eficiente e, num mundo de filmes genéricos sem graça, aprecio boas ideias.

O problema é que o filme faz outro plot twist. Considerando a história que ouvimos acerca do mascarado, nem devia ser uma surpresa, mas eu não estava esperando por aquilo. Aquela revelação é incoerente com o jeito que as pessoas reagiram aos momentos em que a Emily citou aquele nome.

Sabe a genialidade de O Sexto Sentido quando você olha para trás e vê que a verdade estava na sua frente o tempo todo? Esse plot twist causa a sensação oposta e dá a Suspensão um sabor amargo que podia facilmente não existir, caso Jeffery Lando (diretor de Suspensão) não bancasse o Shyamalan (diretor de O Sexto Sentido).

Apesar dos erros de execução que apontei, Suspensão continua sendo uma obra num nível acima de discussão. Vale conferir.

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