Crítica | Contos de Horror (2018): existe antologia boa?

Ficha técnica no IMDb

Contos de Horror é uma coletânea de quatro contos de horror. Confira a análise de cada um deles.

Primeiro conto

Uma cabeleireira arranca o couro cabeludo de uma cliente, o usa como peruca e chora enquanto se olha no espelho. É só isso mesmo. A situação é estranha, mas a falta de conteúdo atrapalha a experiência. Parece muito pouco para um componente de antologia, assim como gasta tempo demais entregando pouco entretenimento. Achei visualmente agradável, mas não o suficiente para compensar.

Como diria Michael Kyle, se colocasse um pouco de pão menos pão, um pouco de queijo menos queijo e uma cerveja sem álcool, eu poderia até apreciar esse gosto de nada.

Segundo conto

Um amante de tatuagens escolhe o pior jeito de se espelhar nas tatuagens alheias. Esta história é bem vazia, mas a bizarrice do transplante a sustenta de forma eficiente e quase satisfatória. Tive a impressão de que durou mais do que deveria, mas não deixa o conto abaixo de regular. O terror da aflição física aqui é muito superior ao do primeiro conto.

Terceiro conto

Um cozinheiro é convidado para um jantar com um grupo de chefs de cozinha e uma blogueira. Este é o mais longo de Contos de Horror e, de muito, mas muito longe, o melhor. Ele é tecnicamente curioso. Algumas vezes a fotografia usa ângulos pouco usuais que não parecem ter algum significado além do puro charme.

Mais evidente que isso é a estética amadora do conto. O estilo canastrão dos atores, os closes estranhos e o roteiro artificial compõe um todo que pode ser encarado como uma esquete do YouTube. É como um humor acidental. Certamente feito de propósito, mas não com a utilização de piadas. O conto acaba sendo suficientemente engraçadinho para agradar ao espectador.

A virada para o terror é a descoberta de que os chefs convidaram o protagonista para jantar e ele seria a sobremesa. É assustador e bem executado, entre dinâmica e efeitos visuais de aparência amadora ou exagerados. Me empolguei com a situação, embora tenha achado um pouco demorado. Faltou agilidade para manter a tensão no máximo e o resultado foi que eu terminei de ver com aquela sensação de que o meio foi melhor que o fim.

O que torna este conto esmagadoramente superior aos outros é que ele conta uma história mais complexa, tanto em enredo quanto em terror, e o faz de modo mais interessante, engajador e assustador. Esse certamente vale conferir.

Quarto conto

Um garoto morreu por perda de sangue após ter a genitália arrancada. Anos depois o irmão dele vai ao lugar que ele acha que é assombrado para enfrentar seu medo e verificar a realidade. O que ocorre é que um monstro absurdamente ridículo morde e arranca a genitália dele, levando-o ao mesmo fim de seu irmão.

Existe terror nesse enredo, mas tenho quase certeza de que a ideia foi pensada como uma piada de Quinta Série. Não é engraçado e o terror é sabotado pela simplicidade amadora do conto, a qual, diferente do anterior, não compõe uma atmosfera interessante. Me parece que este só entrou para fechar o número de contos ou o tempo de filme.

No geral

Contos de Horror é uma antologia fraca com um conto bem interessante e os demais bem abaixo. Os efeitos visuais valem a experiência, mas os fiapos de enredo não.

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