Crítica | A Pata do Macaco (2013): 3 desejos + slasher

Ficha técnica no IMDb

Jake é um homem que tem um emprego não muito legal, é subordinado do marido de sua ex-namorada, tem que lidar com o irmão ruim das finanças e acha que tomou várias decisões erradas que o levaram ao momento atual. Numa situação inusitada, ele recebe de presente uma pata de macaco que supostamente concede três desejos ao seu portador.

Sou um grande apreciador de filmes com a temática “cuidado com o que deseja”. Geralmente cito como bons exemplos desse tipo de história Mestre dos Desejos e 7 Desejos. Ambos são bem sucedidos na empreitada por girarem ao redor da concessão dos desejos.

O primeiro caso consiste em malandragens conscientes de um gênio mal intencionado e o segundo caso trabalha uma lógica “bomba-relógio”. A cada x tempo, uma situação ruim surge. Precisei citar ambos para deixar mais claro o principal erro de A Pata do Macaco: não funcionar enquanto filme de desejos.

No primeiro terço do filme, Jake deseja que um carro seja dele. Ele bate o carro e Cobb, seu amigo, morre. Jake pede que Cobb reviva e este volta como o Superman de Liga da Justiça. Outro desejo só é feito no final de A Pata do Macaco, e não pareceu ter se concretizado.

O uso dos desejos acaba sendo muito superficial e pouco relevante para o transcorrer da trama. O carro roubado não teve um dono e o excelente risco de o Cobb fazer desejos ruins não foi explorado.

O único ponto positivo poderia ser a percepção de que o desejo da ressurreição fez o Cobb enlouquecer e se tornar a ameaça do filme. Até é uma boa amarração, mas o fato de existir a medida protetiva indica que ele já era uma pessoa violenta, logo não é totalmente culpa do desejo.

Esse grande pedaço do filme entre o segundo desejo e o desejo final é, basicamente, um slasher. Slasher é o termo que se usa para designar o subgênero do terror em que um assassino persegue suas vítimas. Convenientemente implacável e aparentemente invulnerável, Cobb é muito parecido com Jason e Michael Myers.

A cena em que ele mata a mulher burra que levou um desconhecido acidentado para a casa dela no meio da noite é chocante e se sustenta pelo choque. Quando ele matou a mãe do Jake, imaginei que a intenção fosse forçar o Jake a usar o terceiro desejo e assim ter a possibilidade de usar a pata de macaco.

O restante de seus ataques parecem completamente despropositados, frutos da mais pura birutice. Conforme ele avançava, eu ia me desconectando mais e mais da história, até o ponto em que A Pata do Macaco ficou entediante. Eu aceitei que o filme é ruim no momento em que o policial é morto facilmente pelo Cobb.

Assim, não dá para perdoar os assassinatos sem sentido, a invulnerabilidade não explicada e a burrice do casal que parou de fugir e não reagiu com ferocidade. Isso é típico de slashers e ruim em seus demais exemplares.

Quando o slasher meia boca incluiu o terceiro desejo, perdeu uma boa oportunidade e mostrou uma qualidade de roteiro lamentável. O Jake colocou a arma no chão e não fez o pedido que o Cobb queria, o que por si só não faz o menor sentido.

O pedido em si foi ridículo. Ele não sabia se o que faltava ao Cobb era a alma e já sabia que a pata de macaco é traiçoeira, então se fosse para pedir algo, teria que ser algo como desfazer todas as maldades que o Cobb fez. Ele provavelmente teria a família de volta e o problema estaria resolvido.

A burrice do Jake levou ele e a ex-namorada a quase morrerem. Além disso, tal decisão tornou o final frustrante. Eu esperava bem mais.

O início de A Pata do Macaco mostra um garoto recebendo o artefato de seu pai, após coisas ruins ocorrerem. Essa abertura deixa claro que algo dará errado e entrega que haverá um terror. Muito pior que isso é o fato de aquele garoto ser um personagem que só importa por dar a pata ao Jake. Se fosse o Jake eu aceitaria.

O final mostra o filho do Cobb com a pata, o que significa que a pata gera um ciclo de violência que termina com uma criança possuindo-a. Apesar de esse desfecho ajudar A Pata do Macaco a ser um filme redondo, ele não consegue ser dramaticamente relevante, pois a pata em si não gerou maldades, apenas potencializou a maluquice do Cobb.

É importante ressaltar que gostei muito do jeito que o roteiro apresentou o ponto de vista do Cobb primeiro, já que isso leva o espectador a achar que ele é um coitado vítima de uma pilantra. Mais tarde, fica claro que a medida protetiva foi uma resposta à agressividade do Cobb. É um miniarco dramático bem bacana.

A Pata do Macaco é um filme que mistura mal uma trama de desejos com uma trama slasher. O resultado é um filme mais ou menos que se torna ruim devido à sua indecisão, a qual contribui para tornar a experiência desagradável, insatisfatória e frustrante.

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