Crítica | Tumba Aberta (2013): o meio da jornada

Ficha técnica no IMDb

Um homem acorda sem memória em meio a uma pilha de corpos. Saindo de lá, ele encontra um grupo de pessoas também sem memória. O grupo agora precisa enfrentar a amnésia, descobrir onde estão e o que devem fazer.

Existem filmes que perdem boa parte da graça se são introduzidos em detalhes. Tumba Aberta é o tipo de história que funciona melhor sendo uma inteira novidade. Eu cometi o erro de abrir as informações do filme e vi que uma de suas classificações de gênero era “zumbi”.

 

Por um lado isso reduziu a minha surpresa, pelo outro, me deixou alerta para os detalhes do filme, pois eu queria ter certeza de que os detalhes do filme convergiam bem na revelação dos zumbis. Ocorre que Tumba Aberta é um bom filme e minha atenção apenas deixou isso claro.

Tumba Aberta conduz magistralmente o mistério e pontua aqui e ali as revelações. Por mais que certas atitudes sejam questionáveis, como os personagens que ficam distantes por muito tempo, é evidente que as migalhas de revelações foram bem distribuídas.

Com isso, a pintura que vai sendo composta ao longo do filme é harmônica, interessante e agradável. Como eu imergi na história e gostei dela, o final até me deixou emocionado. É possível dizer que Tumba Aberta me fisgou por completo, como os filmes que realmente gosto fazem.

Para manter o Blog do Kira, acabo assistindo e resenhando muitos filmes de qualidade duvidosa e até ruins. Entre eles existem obras com acertos sensíveis que me agradam. Tumba Aberta está num nível acima, sendo o que posso chamar de “verdadeiramente bom”.

A dinâmica dos personagens é orgânica e agradável. Faz todo sentido o grupo desconfiar do João Ninguém e as rusgas são na medida certa. De início eu desconfiei que alguém estivesse mentindo, mas as sensações de que alguns deles se conheciam eliminaram essa possibilidade.

O grupo já estava acordado quando o João Ninguém chegou e a muda estava lá antes do grupo. Essa separação indicava corretamente que os três elementos possuíam características distintas dentro da trama.

O surgimento do sujeito na cerca que o atirador burramente tentou ajudar marcou a aparição do lado zumbi. Não zumbi clássico, pois os infectados não são mortos caminhando.

O fato de o João falar latim e o Nathan também, além de outras línguas, indicava que aquele grupo era uma elite intelectual. A sugestão de que a casa era do Nathan me fez concluir que eles eram um time unido para resolver o problema dos zumbis. Sendo o João alguém de fora, inclusive fora da foto, ele devia ter algo de especial. Ou era o criador dos zumbis ou quem desenvolvia uma cura.

Quando as minhas suposições se confirmaram, demonstraram que os elementos do filme não foram jogados por acaso na tela. A resolução do mistério acerca do dia 18 é eficiente também.

O jeito que os personagens vão recobrando a memória é orgânico e nada nesse desenvolvimento me incomodou. A explicação sobre o líder dos médicos é válida e eu comprei a história. Gostei muito dela.

O grupo tomou a injeção porque a epidemia saiu de controle e por esse mesmo motivo o exército não quis deixar sobreviventes. O final trágico foi convincente. Já o final final foi em aberto, com os dois sobreviventes diante de uma imensidão trágica.

Finais em aberto nem sempre são ruins, mas neste caso me incomodou, pois não foi indicado qual seria o próximo objetivo do protagonista. Não precisava resolver o problema, mas dar informações o bastante para eu supor o que aconteceria depois. O final de Eu sou a Lenda é um pouco em aberto desse jeito, com uma indicação do que viria a seguir.

Um detalhe que salta aos olhos em Tumba Aberta é que ele é o meio da jornada do João Ninguém. Nós não vimos o começo da pesquisa dele e não vimos se ele encontrou uma cura definitiva. O que sabemos é o meio da jornada dele. É legal, mas seria melhor se tivéssemos uma continuação para ver o restante, ou talvez até o que aconteceu antes.

No mais, Tumba Aberta não é um filme esplêndido nem muito marcante, mas é eficiente no que se propõe a fazer e acaba se saindo um competente filme de zumbis. Não chega ao nível do referido Eu sou a Lenda, mas é mais do que um filme zumbi genérico.

Tumba Aberta é um filme recomendável.

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